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Jornalistas modernos

por jonasnuts, em 14.04.09

Este post é capaz de chatear algumas pessoas, em especial alguns dos amigos que tenho e que são, em simultâneo, jornalistas.

 

Considerem o disclaimer do costume, que não se julga o todo pela parte, e que um caso são casos, e coiso e tal.

 

A razão pela qual muitas pessoas querem ser jornalistas passa pela imagem que temos do jornalista. Um gajo, que com o poder da escrita (ou da palavra) nos faz chegar os factos. O quem, o como, o onde, o quando e o porquê. Um gajo que escreve bem, que sabe falar. E que é independente e protege, acima de tudo, a Verdade. Por causa deste retrato, que em tempos pode ter sido realista, temos a tendência para acreditar no que vem escrito nos jornais, ou é dito na rádio. Achamos que a parte da veracidade dos factos, a confirmação dos eventos, e a escolha das fontes são trabalho do jornalista. E são. Achamos bem. Isto é, acharíamos bem, se vivêssemos há uns anos.

 

O problema é que o grau de exigência tem vindo a diminuir, e muitas pessoas que se dizem (ou são consideradas) jornalistas já não preenchem os (meus) requisitos mínimos, alguns são mesmo umas verdadeiras bestas. Não sabem escrever, não sabem falar, não sabem usar da melhor forma as ferramentas que têm à sua disposição (nomeadamente a internet), não sabem seleccionar fontes. Gostam muito do copy paste. A juntar a isto, temos o actual ritmo a que vivemos que é muito, mas muito mais rápido que outros ritmos do passado. Acrescentem-se os donos os órgãos de comunicação social e a sua (às vezes não tão escondida como isso) agenda, mais os ódios de estimação, mais as intrigas palacianas, mais os editores, mais as orientações editoriais, mais as pressões e mais o diabo a sete e estamos lixados. Com f de cama.

 

O nome de um jornal já não me chega para garantir a veracidade e isenção de uma notícia. Nem sequer o nome do jornal conjugado com o nome do jornalista.

 

É engraçado que numa época em que a quantidade de informação é cada vez maior, quando os jornalistas seriam mais necessários enquanto seleccionadores da informação relevante estão, pelo contrário, a perder importância e relevância. Por culpa própria também, mas não maioritariamente.

 

Acho que hoje em dia, para se ser jornalista são precisas 3 coisas, um curso qualquer, uma vontade enorme de seguir esta carreira, e uma lobotomia (para perderem toda e qualquer veleidade de quererem pensar pelas suas próprias cabeças).

 

Como é que me mantenho a par da actualidade, tendo em conta a opinião que tenho dos jornalistas em geral? Faço eu a minha selecção. 99% da actualidade acompanho nos Blogs (muitos desses Blogs são de jornalistas, sem filtros externos). São raros os casos em que recorro a órgãos de comunicação social tradicionais. Só para as breaking news, na maioria dos casos.

 

Construí uma rede pessoal de Blogs, através dos quais sigo as notícias. Não se constrói de um dia para o outro, esta rede. E está em constante transformação, saem uns entram outros. Há mais de 2 anos uso este método. E estou satisfeita.

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6 comentários

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De Miguel Barroso a 14.04.2009 às 17:02

Boa.
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De pedrocs a 14.04.2009 às 17:07

Quando chega o 1 de Abril e os jornais publicam mentiras na primeira página costumo perguntar: "qual é a diferença em relação ao resto do ano?".

Tornei-me incapaz de acreditar na comunicação social, no geral. Então quando um gajo começa a perceber de onde vêm certas "notícias" e reportagens, directamente de departamentos de comunicação de empresas, já escritinhas e prontas a publicar... ui! Até arde.
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De Patricia a 14.04.2009 às 17:21

Fui jornalista muito tempo. Desisti. Por tudo isso e muito mais.
Vida de cão, é o que é. E além de a minha integridade não estar à venda, se estivesse não seria pelos salários ridículos que me pagavam em troca de 16 horas de trabalho diário.
Not worth it.
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De Em Fá Sustenido a 14.04.2009 às 22:47

Eu sou a suspeita do custume. Não sou jornalista, nem aspiro a isso. Simplesmente frequento uma faculdade que tem o curso de jornalismo e alguns dos meus amigos são aspirantes a jornalistas. Alguns com ideias já muito pré-concebidas do que escrever e como escrever. Alguns criam já as suas próprias formas de comunicar e de mostrar aquilo que consideram jornalismo isento de mão externa, se assim se pode dizer.
Eu também já não leio um jornal ou vejo um telejornal há algum tempo, o que considero jornalismo de qualidade, já se provou não o ser portanto já me remeto apenas a ler e depois a comprovar.
Nas faculdades, é que correm rumores, mas se calhar os rumores sairam das faculdades e seguiram direitinhos com os alunos para as manchetes de jornal.

Beijinho e obrigado*
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De João Tomé a 17.04.2009 às 01:11

Eu cá sou jornalista, por enquanto. E revejo-me em muito do que foi escrito. Mas um dos problemas de base está em alguns factores simples. Só digo dois, mas há mais: as redacções cada vez mais pequenas (fulcral para haver bom jornalismo); a falta de uma estrutura real que forme jornalistas e os oriente e a incompetência das chefias.
Era mais fácil ser jornalista há uns anos atrás, mesmo sem internet (em alguns casos veio prejudicar, porque facilitou o famoso copy & paste e colocou administradores a pensarem que se calhar jornalismo se podia fazer todo pela internet).
A motivação na profissão também anda em níveis muito baixos, também por vários motivos.

Para quando um jornalismo novo? É uma profissão que está e tem que ser repensada - continuo a achar que é muito importante. O jornalismo actual é como o sistema capitalista e financeiro em crise global... tem de aprender com os erros e com a nova realidade e mudar.


Todos os dias vejo coisas que não são verdade nos jornais - em algumas secções mais do que noutras e nalguns jornais MUITO mais do que noutros. A maior parte delas sei que poderiam ser evitadas. Mas o jornalismo como ficção barata para entreter ainda é o que supostamente (dizem alguns admin) "vende" jornais. O jornalismo é para ser consumido e lido, deve apelar e interessar ao leitor, mas nunca comprometendo os seus princípios base...


PS: Os blogs citam muitas vezes os jornais. Por si só, os bons blogues, tal como os bons jornais, fazem um selecção daquilo que é "bom" e soa a interessante e verdadeiro e excluem o que não é. Daí que existam tantos blogs de jornalistas. Lá os critérios editoriais, as limitações e pressões são muito diferentes das do dia a dia.

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De Ognito Inc a 21.04.2009 às 11:43

Porque partilho a opinião do mau estado do jornalismo cá no sítio invejo essa lista de blogues....

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