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Terça-feira, 14 de Abril de 2009
Os decotes, os perfumes, a "recomendação" e o incêndio blogosférico

Este vai ser compridinho.

 

Sempre gostei de me vestir à vontade. Calças de ganga, ténis, t-shirt ou sweat-shirt, e está a andar (a roupa interior não é relevante para o tema).

 

Acredito vivamente que a forma como a pessoa se veste não determina a sua competência, mas acredito em igual medida que os portugueses não pensam da mesma maneira. Se pensassem da mesma forma, a gravata teria sido abolida há muito, e este é só um dos exemplos de coisas que vestimos por causa das convenções sociais.

 

Quando comecei a trabalhar em publicidade, não sabia muito bem qual das áreas deveria seguir. Sabia que não queria ser copy, e que não podia ser visualizadora, mas tinha em aberto o contacto, a produção, o tráfego e a média. Tráfego e média estavam excluídos à partida, que eu preciso de coisas diferentes. Portanto, ou contacto ou produção. O contacto trata de fazer a ponte entre a agência e os clientes, o produtor trata de fazer a ponte entre a agência e os fornecedores. Confesso que tive dúvidas, cada trabalho tem as suas vantagens e desvantagens. O que acabou por me fazer optar pela produção foi o dress code. Para ser contacto eu teria de andar sempre empiriquitada, para ser produtora eu podia andar mais à balda. Baldas foi.

 

Isto tudo para chegar onde?

 

Se eu quero ter uma profissão que implica representar a empresa/instituição/organismo junto dos seus clientes/utentes, tenho de ter, à partida, algum discernimento em relação ao que posso e devo fazer para que essa representação seja positiva. E isso inclui o que visto. Não há liberdade, na medida em que as convenções não o permitem. 90% dos meus sapatos são ténis (sapatilhas para quem está mais a norte, embora eu já não faça ballet), mas em dia de reunião com parceiros, ou se vou representar a empresa num evento, penso duas vezes no que visto.  E tento vestir-me de acordo com as circunstâncias, mesmo que isso implique não ir de ténis ou de calças de ganga.

 

Claro que é tudo muito subjectivo, e aquilo que para mim é razoável, para o parceiro do lado pode ser intolerável, mas há os limites básicos do senso comum. É frequente entrar num elevador do meu local de trabalho, e sair de lá a cheirar ao "Opium" da drogaria do Sr. Mendes, porque alguém decidiu tomar banho naquilo e empestar tudo à sua volta. É corriqueiro ficar com dores de cabeça, só de me aproximar de algumas das pessoas com quem partilho o espaço de trabalho, tal é a quantidade de perfume que carregam. O contrário também acontece, às vezes paira um cheirinho a suor requentado que não se aguenta. Fazer o quê? Incluir na lista dos deveres dos trabalhadores o banho matinal?

 

Chateia-me que haja códigos que impõem determinadas regras de vestuário, mas chateia-me ainda mais que sejam precisos esses códigos. Estamos a perder o senso comum e o discernimento. Liberdade? Sem dúvida. Sempre. Mas liberdade significa anarquia? E a liberdade dos empregadores? Não estão no direito de não quererem ser representados por pessoas que não correspondem à imagem que pretendem transmitir?

 

E, convenhamos, a blogosfera masculina incendiou-se com a coisa, porque imaginava a Scarlett Johansson atrás do balcão da loja do cidadão. Se tivessem imaginado antes a D. Miquelina, mãe de 3 filhos, avó de 4 netos, a seguir pela enésima vez a dieta milagrosa da seiva da vida para perder em 3 semanas os 25Kg que tem a mais, se calhar não se incendiava tanto. Vá, acendia um fósforo.

 

 



publicado por jonasnuts às 09:54
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7 comentários:
De Anónimo a 14 de Abril de 2009 às 10:42
eheh terminaste em beleza

shyz


De Ele Diz a 14 de Abril de 2009 às 13:28
Ele também disse algo sobre o assunto aqui, e acho que por estas bandas nem um fósforo se acendeu!!!

http://elediz.blogspot.com/2009/04/loja-do-cidadao-decotes-e-mini-saias.html


De outrosdias a 14 de Abril de 2009 às 16:52
Eu cá começava por recomendar o banho diário... depois logo se via


De ADzivo a 14 de Abril de 2009 às 21:50
Que giro é imaginar uma outra pessoa vestir-se à vontade.
Calças de ganga com franjas do tipo tapeçaria persa, nas entradas de ar golpeadas em locais estratégicos.
Loira desgrenhada, de olhos azuis com pálpebras inchadas.
Descalça, a tirar as sapatilhas da porta nº 2½ do seu SMART.
TShirt, para as reuniões da Direcção de Tecnologia de Produto, em tons pastel onde se consegue ler...

Work like you don't need the money
Love like you ve never been hurt
Dance like no one is watching
And fuck like you re being filmed

Vou mandar o meu CV, para moço de servir cafés ;o)


De Eduardo a 14 de Abril de 2009 às 22:03
E eu aqui a tentar imaginar onde é que queres chegar e a polir a biqueira da bota mas se calhar é melhor ir de polainas que protegem mais contra devaneios e serradura.


De ADzivo a 14 de Abril de 2009 às 22:31
Acho que fazes melhor por três motivos; primeiro não sujas a bota que necessita de estar limpa para complemento do TT; segundo não estala o verniz e finalmente, valerá a pena tanta serradura?

roger & out



De Eduardo a 14 de Abril de 2009 às 22:35
A parte do "out" está boa. Vês? Começaste mal e acabaste bem. Um grande roger rabbit para ti também.


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