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O pergunta do título do post é descaradamente roubada ao Enrique Dans, que há bem pouco tempo a colocou no seu Blog (que recomendo).

 

Ia comentar por lá, e até perguntei se o deveria fazer em português ou em inglês (já que o Blog é escrito e comentado, maioritariamente em castelhano), mas depois achei que dava um comentário demasiado grande (apesar de ter recebido resposta, simpática e em tempo recorde, de que os meus comentários seriam bem-vindos em português, deitando por terra o mito de que os espanhóis não entendem o português :).

 

Eu sou uma céptica dos serviços sociais. Parece ser contraditório, o facto de, profissionalmente, estar ligada a alguns serviços que têm uma forte componente social, mas se calhar é mesmo por causa disso. Ou então é porque não gosto de embarcar em rebanhos, e gosto de pensar pela minha cabeça.

 

As redes sociais, "profissionais" como o LinkedIn permitem-me identificar uma série de contactos profissionais, mais algumas características das minhas competências. Tudo muito fácil, clica-se num botão para adicionar alguém à nossa lista de contactos, clica-se noutro botão para autorizar que alguém nos adicione, escrevem-se recomendações mais rapidamente que um mail, e em menos de três tempos temos um perfil sumarento, cheio de nomes de pessoas que nos conhecem profissionalmente, mesmo que apenas nos conheçam vagamente, por termos, em tempos, partilhado o mesmo espaço de trabalho. À semelhança de muitos serviços sociais, os números são importantes, quantos amigos é que tem? Quantos contactos é que tem? A quantos grupos pertence? Quantas recomendações positivas? Este tipo de serviços, se forem bons, até nos indicam perfis com os quais podemos ter algum tipo de ligação (tipo, trabalham na mesma empresa), e normalmente não se enganam, embora trabalhar no mesmo edifício não seja, em alguns casos, grande ligação profissional. Eu trabalho num edifício onde estão mais 2.000 pessoas. Partilhamos geografia, mais nada.

 

Quando preciso de contratar alguém para a minha equipa, peço um CV, que me dá o percurso profissional e a experiência (e as habilitações académicas que normalmente desvalorizo), e peço o endereço do Blog. O Blog diz-me mais sobre a pessoa do que um perfil no LinkedIn. Claro que dá muito mais trabalho, e demora muito mais tempo, mas conhece-se melhor a pessoa.

 

Na equipa dos Blogs do SAPO há 6 pessoas. 3 estão lá desde o início (eu, o Hugo e a Claudia), os restantes foram chegando. A todos foi pedido o endereço do Blog, no momento do primeiro contacto. Fiquei a saber mais sobre essas pessoas através do seus Blogs (ou da ausência de Blog, não é Tó? :) do que através dos seus CVs.

 

Digam-me sinceramente, se alguém ler o meu CV (que eu não estendo, e reduzo ao essencial e pertinente), fica a saber alguma coisa sobre mim? Muito pouco. Se tiver a pachorra de ler este Blog, ficará a conhecer-me muito melhor (momento em que abandona a ideia de me contratar, é um facto, quase ninguém gosta de contratar pessoas com mau-feitio :).

 

Não são apenas as competências técnicas que contribuem para a decisão de contratar um novo elemento para uma equipa. Quando ando à procura de alguém quero saber mais coisas. Quero saber se se integrará bem na nova equipa, sem desestabilizar. Quero saber se é boa pessoa. Quero sumo, não quero cascas.

 

As redes sociais dão-me cascas disfarçadas de sumo, os Blogs dão-me sumo do bom. Dão mais trabalho, mas, até hoje, tem corrido bem, e já contratei pessoas exclusivamente por causa do Blog. Foi na mouche.

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12 comentários

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De McMe a 29.12.2008 às 13:01

Mas se a rede social tiver o link do blog, a coisa complementa-se, não? ;)
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De jonasnuts a 29.12.2008 às 13:08

Sim, mas tira-se muito mais sumo do Blog :)

E há muitas pessoas que não têm blog, ou que optam por excluí-lo por ser demasiado pessoal. Separam o pessoal do profissional (que são, para mim, inseparáveis).
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De Mario Andrade a 29.12.2008 às 14:52

Realmente uma rede social pode iludir bastante já um blog pessoal não tanto.

Penso que seja do conhecimento de todos que as empresas de Portugal começam a investigar as redes sociais á procura do perfil dos candidatos. Talvez saíssem mais bem servidas pesquisando no blog pessoal.

Oh Jonas, já vi que gostas de espremer :P
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De Manuel Padilha a 29.12.2008 às 16:09

Nunca encontrei trabalho através de uma rede social, mas já recebi propostas de emprego personalizadas através delas.

Na analogia do sumo de fruta que propões, acho que as redes sociais são mais a árvore onde posso procurar as laranjas cujo sumo quero provar, uma espécie de directório enriquecido, se quiseres.
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De desfocado a 29.12.2008 às 22:51

Concordo com a posição sobre redes sociais. Acho que são muito giras e criam ligações muitas vezes improváveis, mas a maior parte do tempo são usadas como uma competição de "quem conhece mais gente". Tenho esperança que se tornem mais do que isso, mas anda são coisas muito verdes e as pessoas ainda não estão assim tão confiantes num grupo real via internet.
Concordo plenamente em relação a contratar pelos blogs das pessoas, acho que é uma ideia arrojada, inovadora e absolutamente correcta.
Só discordo de que o pessoal e o profissional têm que se misturar. Uma separação saudável deve existir acho eu.
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De jonasnuts a 29.12.2008 às 23:03

Quando eu digo que o profissional e o pessoal se juntam, refiro-me ao facto de não sermos uma pessoa quando estamos a trabalhar e outra quando não estamos. A nossa personalidade é a mesma, pelo que são naturezas inseparáveis :)
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De desfocado a 29.12.2008 às 23:34

A personalidade é uma, mas as "personas" várias. Há já muito escrito sobre como nos comportamos de forma (às vezes totalmente) diferente de acordo com os grupos de pessoas com que estamos a interagir. ;)
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De jonasnuts a 29.12.2008 às 23:36

O essencial está lá. Se és honesto num lado, serás no outro.
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De desfocado a 29.12.2008 às 23:39

E vice versa ? Já conheci gente implacável no trabalho e adorável na vida fora dele ... e vice versa ! ;-)
Mas sim, acredito que há um fundo comum a tudo, senão teríamos problemas de personalidade múltipla ! :P
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De João Távora a 29.12.2008 às 22:56

Gostei de ler a sua análise, Maria João. Eu confesso que apesar de estar on line em várias redes, ainda não sei bem o que delas poderei retirar.
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De pedrocs a 31.12.2008 às 15:10

E não há maior trampa que aqueles CVs normalizados da UE. Completamente estéreis e inúteis!
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De Sérgio a 01.01.2009 às 23:18

Uma coisa não substitui a outra.

O que uma rede social te dá são contactos, ligações. Nada mais. É óbvio que o sumo está noutros sítios. Podes ter algum, como no linkedIn onde tens o CV, mas nada mais. O Blog, o Twitter, o Flickr e até o del.icio.us permitem-te conhecer a pessoa. As redes sociais podem-te permitir chegar até ela mais facilmente.

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