Tenho andado a aprender e a descobrir coisas novas sobre a educação, na tentativa (vã) de me instruir sobre este processo de avaliação dos professores proposto pelo governo, e da acção de protesto dos sindicatos. Ainda não consigo ter opinião, mas já tenho várias pequenos apontamentos que contribuirão para a minha opinião final, caso um dia consiga ter uma:
1 - Os professores estão mal representados. A pessoa que mais barulho faz, apresentando-se como representante dos professores, Mário Nogueira, pode saber falar ao coração de alguns professores (não acredito que fale ao coração de todos), mas não sabe comunicar com o resto das pessoas. Passa por teimoso, mal-educado, birrento e a precisar de levar uns açoites no rabo, para acabar com a crise de mimo. Da mesma forma que o meu filho quer uma PSP, o senhor quer derrubar a ministra. Deve ficar bem no currículo de sindicalista: "ora vamos lá ver quantos ministros já derrubou este senhor. E secretários de estado? Sim senhor, um belo currículo." Se calhar recebem pontos, como nos postos de gasolina.
2 - O Governo não sabe o que anda a fazer. Como não acredito que o senhor do parágrafo ali de cima consiga falar ao coração de muitos professores, resta-me acreditar que o número de participantes nas duas maiores manifestações feitas até agora tem a ver com a impraticabilidade da proposta do governo (mais do que com as reivindicações dos sindicatos). Outra possibilidade era eu pensar que muitos professores não querem mudar o sistema de avaliação, mas eu ainda não estou emocionalmente preparada para me inclinar para esta hipótese.
3 - Ninguém parece saber muito bem como é que se avaliam os professores. Várias propostas idiotas têm sido já adiantadas: que se mantenha o sistema que existe, que sejam os alunos a avaliar, que seja baseada no rendimento dos alunos, que sejam os pais dos alunos.... enfim, palermices. Ainda não vi UMA proposta de jeito que me tenha levado a pensar...peraí, isto é capaz de poder fazer algum sentido.
4 - Os pais dos alunos, e os alunos, não são perdidos nem achados no meio desta confusão.
5 - Estou pior do que estava no início deste processo. Cada vez sei mais, mas cada vez percebo menos.
6 - As generalizações são perigosas.
De
j.a. a 21 de Novembro de 2008 às 15:39
Gostei! mto bem
De Sérgio Carvalho a 21 de Novembro de 2008 às 16:01
Ainda não tens uma proposta decente para avaliação de professores? Ora aqui está uma saída da caneta de um engenheiro:
1) Não se pode avaliar o que não se mede. O output do sistema educativo é a educação dos alunos, por isso o primeiríssimo passo é medir o nível educativo. Exames finais, nacionais, a todas as cadeiras em todos os anos. Para que se possam depois usar estes dados, é preciso que a avaliação destes exames seja distribuída, e nunca feita pelo professor que ensina.
2) Identificar o que marca o bom desempenho de um professor, e medir. Quanto a mim, três características: Conhecimento da matéria, resultados dos alunos, empatia com os alunos.
2a) Medir conhecimento da matéria: Simples. Por os professores a fazer os mesmos exames que os alunos. Com um quarto a um sexto do tempo, se se quiser ser mauzinho. Permite rapidamente eliminar os 10% de idiotas que foram aterrar no ensino por iterativa rejeição.
2b) Medir resultados dos alunos: Simples, por tratamento estatístico dos resultados dos exames globais, ao longo do tempo. Quem invalida o uso dos resultados dos alunos para avaliar professores com a teoria das zonas desfavorecidas não sabe estatística. Em grandes números, com as zonas identificadas, e com a evolução temporal é possível extrair o peso dos vários factores na evolução dos alunos à medida que avançam pelo sistema de ensino. Um dos factores é o professor. Extrai-se, usa-se para avaliação do professor.
2c) Empatia com os alunos. Simples, com o método clássico: Questionários aos alunos e aos pais.
Resultado: Professores avaliados, alunos avaliados, burocracia mínima.
De
jonasnuts a 21 de Novembro de 2008 às 16:25
Mais depressa concordo com uma avaliação onde um dos elementos seja a evolução dos alunos do que uma avaliação em que um dos elementos seja o resultado dos alunos.
É verdade, não percebo de estatística e sou mesmo uma céptica dos números, acho que a estatística, só, não pode servir para avaliar seja quem for. Mas reconheço que sou um bocadinho radical, em matéria de números.
A história da empatia é que já acho fruta a mais. Para isso teríamos de fazer a avaliação dos pais. Quantos é que se baldam às convocatórias dos professores? Quantos é que vão às reuniões de pais? Eu sou mãe, mas reconheço que muitos pais se estão completamente borrifando para a aprendizem, e esses inquéritos facilmente se transformariam em formas de pressão e/ou vingança sobre os professores, não como forma de avaliar a aprendizagem mas como forma de penalizar uma má nota dada ao filhinho, coitadinho.
Isto depende de pessoas, logo, todos os métodos são falíveis.
Se fosse tão fácil como descreveste, porque é que ainda não vi isso proposto por ninguém?
De
j.a. a 21 de Novembro de 2008 às 20:36
Se conseguírem quantificar o empenho de um professor penso que tem o prob. resolvido.
Porque pode-se ser muito bom prof. empenhado e tudo o mais e simplesmente devido às características da turma não ter os resultados pretendidos
De
j.a. a 21 de Novembro de 2008 às 21:19
éhhh.... :-P também não é só isso que conta..... mas que os profs entre eles sabem quem é bom e quem não é sabem.... só que também acho que nao se consegue quantificar
Como pai tenho apenas uma coisa a dizer.
Por causa das teimosias, medições de força, greves, manifestações, ovos, tomates e laranjas (sim, porque no Algarve com os ovos não foram usados tomates mas sim laranjas), portões fechados a cadeado, pedras e pauzinhos nas fechaduras e tudo o mais, os alunos estão a ficar prejudicados porque não estão a ter aulas e algumas das que têm estão a ser ocupadas para falar dos descontentamentos!
Hoje tenho dois filhos em casa porque a escola estava fechada por causa de mais uma greve.
Gostava só de esclarecer um ponto, os professores durante este tempo todo não fizeram greves mas sim manifestações ao Sábado, com uma única preocupação, não prejudicar os alunos. A greve de hoje foi da administração pública.
No entanto deixo um alerta que se esta situação de impasse se mantiver, existe um pré-aviso de greve para dia 3 de Dezembro e 19 de Janeiro. Aí sim, com prejuízo para os alunos.
Quanto à questão da avaliação, já muito se disse e escreveu. Não é uma questão fácil de resolver pois não haverá nenhum modelo que agrade a todos. Mas acredito que existem modelos mais fáceis de concretizar que este. No entanto, a questão de fundo não é só a avaliação, são estas últimas reformas educativas. Neste ponto concordo com a Jonas, alguns pais, e posso dizer que são muitos, andam de costas voltadas à escola. São convocados e nem aparecem, escrevo recados e nem os assinam. O seu único interesse é que passem para o próximo ano, sem se questionarem se sabem o suficiente para passar. Assumo publicamente, que a maioria dos alunos cada vez sabe menos. E o Ministério cria ainda mais facilitismos, exames acessíveis e não existe limite de negativas para o aluno ficar retido. Lembrem-se que até já se falou de um modelo em que os alunos transitavam sempre. No meio disto tudo, os pais realmente empenhados na educação dos seus filhos têm uma palavra a dizer e um papel fundamental. Além dos alunos, são até os mais interessados. Espero que esta discussão toda em volta da educação sirva para melhorar, de uma vez por todas, a escola pública. Para que os pais possam usufruir de um ensino gratuito de qualidade.
De
almariano a 22 de Novembro de 2008 às 20:38
Neste caso a mim está-me a parecer,
devido á quantidade de professores,
que em manisfestações estão a aparecer,
que este processo causa dissabores,
eles querem a sua avaliação,
disso não há dúvida possível,
agora com esta condição,
parece não ser exequível,
mas eu sou apenas mais um,
que observa ao longe o panorama,
professores acho que não há nenhum,
que concorde com o programa,
como essa não é a minha profissão,
nem tão pouco tenho filhos a estudar,
não me causa nenhuma preocupação,
outra coisa não seria de esperar..
As escolas deviam poder contratar os professores que quisessem e assim podiam fazer a avaliação como quisessem. De tempos em tempos o método de avaliação era discutido pelos intervenientes de modo a que pudesse ser modificado e consequentemente melhorado. Os professores que decidissem ir para determinada escola já sabiam à partida o que poderiam esperar. A função do estado seria verificar se os resultados obtidos iam sendo de acordo com o que se deveria esperar.
Só que em Portugal o factor "C" é muito importante e poderia prejudicar o sistema.
Gostei muito do teu post. Já agora, qual é a tua opinião acerca da questão das cotas na avaliação? Eu ainda não tenho opinião formalizada acerca deste ponto... mesmo quando trabalhei na FP (nunca chegue a ser funcionário, só lhe vesti a pele), foi-me difícil aceitar as cotas. Agora que estão a tentar transpor o modelo do SIADAP para os professores, ainda não ouvi nenhuma opinião acerca deste tópico. É justo falarmos de cotas na avaliação?
De
jonasnuts a 24 de Novembro de 2008 às 14:42
Não faço ideia do que sejam as quotas. Eu não sou professora, sou apenas uma cidadã, mãe, a tentar perceber isto tudo e a perceber cada vez menos.
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