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Jonasnuts

Reuniões

 

 

Não gosto de reuniões. Aquelas reuniões típicas em que toda a gente se senta à volta de uma mesa, apresenta-se um power point cheio de imagens e de setas e de gráficos, cheio de nada, debate-se, no fim faz-se uma acta e é assim uma coisa mole. É uma perda de tempo. Evito, baldo-me violentamente a este tipo de reuniões, e tenho sido uma privilegiada, neste aspecto, quando comparo com a maior parte do pessoal que trabalha comigo.

 

Sempre que tenho de debater alguma coisa com alguém, o mais frequente é pegar em mim, ir até à outra pessoa, sentar-me em cima da secretária, ou de um armário, ou num bloco de gavetas (reparei noutro dia que raramente me sento em cadeiras, mesmo durante as reuniões mais típicas), ou então vai-se beber um café e conversa-se. No final, não há cá actas para ninguém. Cada um faz o que é suposto fazer, o que ficou combinado, e está a andar.

 

Claro que quando temos um tema com um grupo de pessoas, de fora, não dá para reunir nos corredores, e é mesmo preciso uma sala de reuniões. Tenho sempre receio que uma reunião dessas descambe para a monotonia.

 

A semana passada começou com uma reunião das más, mais de uma hora sentada na cadeira, a ouvir uma série de coisas que entraram a 100 e saíram a 200, de tão vazias e inúteis. Uma seca. Já me fizeram chegar a acta, tão vazia como a reunião.

 

Na sexta de manhã tive outra reunião. Éramos 4, eu e mais 3 pessoas de fora. Bom, uma delas não é bem de fora, que já faz parte da casa, na minha cabeça, mas formalmente, é de fora. Durou mais do que a de Segunda-feira. E foi uma daquelas reuniões raras, mas raras mesmo, em que havia na sala uma energia diferente. A forma que os intervenientes tinham de falar sobre o que os levara ali, os condimentos extra com que se enriqueceu a reunião, a paixão e o entusiasmo com que debatemos o projecto, as ideias que surgiram ali (mais as outras que me foram ocorrendo), o nome que arranjámos, as coincidências do meu iTunes e um je ne sais quoi que não sei definir fizeram, logo ali, com que eu ficasse arrebatada pelo projecto. Venderam-me o projecto, e eu comprei-o, na hora, porque não estavam a tentar vender-mo. Estavam a descrever a coisa, com uma emoção e com um entusiasmo tão contagiantes que era impossível não entrar no barco. Uma espécie de alinhamento cósmico, em que tudo acontece no momento certo, pela ordem certa, num raro momento de sintonia.

 

No final, não houve actas, e sei que as palavras de despedida "aconteça o que acontecer, foi muito bom, este bocadinho" foram sinceras, e foram sentidas por todos.

 

Obviamente, já fiz mais pelo projecto desta última reunião do que fiz pelo projecto da primeira reunião, aliás, ao da primeira reunião apenas dediquei estes momentos, em que escrevo este post, e só me vem à cabeça por ser tão diametralmente oposta ao da última reunião.

 

Foi mesmo isso, um alinhamento cósmico. Naquele momento, alguém mais lá em cima tinha determinado que aquelas 4 pessoas tinham de estar ali, àquela hora, naquele momento, a dizer aquelas palavras que disseram.

 

É raro. É pena que seja raro. Mas é também a raridade que torna estes momentos, quando acontecem, tão especiais.

 

A foto tem tudo a ver com o projecto da 2ª reunião, mas só os intervenientes é que a percebem. Sorry.

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