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Reacção de quem interessa

por jonasnuts, em 24.09.08

Fruto de trabalhar onde trabalho, consegui pôr as mãos num Magalhães. Parece que hoje no Rádio Clube a questão pode surgir, e eu gosto de saber do que falo. Pelo menos minimamente.

 

Até agora já li muito sobre o Magalhães, na Blogosfera, mas a realidade é que quem está na Blogosfera, não precisa de um Magalhães.

 

O Magalhães é para crianças, principal e especialmente para as crianças que não tiveram ainda uma experiência consistente de utilização de computadores. Crianças do 1º ciclo (6,7,8 e 9 anos), agora alargado às do 2º ciclo (10 e 11 anos).

 

Esta manhã, quando levei o meu filho à escola cheguei demasiado cedo (manias de quem detesta chegar atrasada e ainda não consegue prever o trânsito da marginal). Sentados no carro à espera ele pergunta-me: posso usar o Magalhães? Podes. O meu filho não é o target do Magalhães. Desde sempre que está rodeado por computadores e tem um computador dele, só dele, no quarto dele há, pelo menos, 3 anos. Mas queria brincar. Não precisei de lhe explicar muita coisa. Queixou-se de que era lento.

 

Decidi levar a experiência mais além, e quando entrei na escola, 15 minutos antes de começarem as aulas, levei o Magalhães comigo, e o puto sentou-se no bar, de Magalhães à frente.

 

Os putos pareciam espermatozóides à volta de um óvulo (ia dizer moscas à volta de uma bosta, mas prefiro uma imagem menos escatológica). Curiosos. Os pais, a mesma coisa. Muitas perguntas (dos pais, para mim, dos putos, para o puto).

 

Adorariam ter um, mas o do e-escolas é melhor. Estavam informados. Um deles até já se tinha candidatado ao computador do e-escolas.

 

Para aqueles, daquela escola, que já usam os computadores dos pais e já têm, por isso, experiência, o Magalhães não faz muito sentido, faz mais sentido o do e-escolas, mas para a miudagem que não tem acesso fácil a computadores, este Magalhães não é só um acessório, é uma necessidade.

 

Alguma vez eu havia de ver o dinheiro dos meus impostos aplicado a meu gosto.

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3 comentários

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De pnf a 24.09.2008 às 10:48

Antes de mais nada devo dizer que ainda não mexi em nenhum Magalhães e que, tal como o teu filho, as minhas filhas também sempre viveram rodeadas de computadores - logo, previsivelmente, vão achar a coisa um pouco primitiva, lenta e "infantil".

Mas, por outro lado, não critico a máquina nem a medida (pelo menos para já), porque talvez seja a única forma de conseguir-se um ambiente cooperativo na sala de aula, "removendo-se" as diferença de experiência entre os alunos. É um nivelamento por baixo, bem sei...

Vamos ver como a coisa corre
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De a. almeida a 24.09.2008 às 10:50

É tudo muito bonito e estamos comumente de acordo quanto à importância desta medida do Governo.
Tenho é serias dúvidas no que de positivo irá reflectir-se ao nível do aproveitamento escolar. Também tenho um puto, de 11 anos, e, por mais que insista na pedagogia da utilização do seu computador essencialmente como um instrumento de trabalho, a verdade é que as coisas descambam sempre para a brincadeira e para os jogos pelo que quando quero obter dele aproveitamento, e porque tem capacidade, a solução é voltar aos velhos métodos. Penso que a maioria da criançada não será diferente. Mas, pronto, posso estar a ser apenas pessimista.
Por outro lado, a forma de aquisição deste instrumento, vem uma vez mais marcar o estigma da compartimentação dos portugueses; os ricos, os menos ricos ou menos pobres e os pobres. Eu que tenho um ordenado vulgar e tenho a esposa desempregada e tenho ainda encargos bancários com a habitação, imagine-se, sou considerado rico e por isso se quisesse o Magalhães, pagaria os 50 euros. Ironica e paradoxalmente, o meu patrão, que tem Mercedes e a esposa um BMW (ambos dos bons) e apartamento de férias em condomínio fechado junto à praia, é considerado menos rico e paga os tais 20 euros (creio), porque, pobrezinho, tem apenas o ordenado mínimo e a esposa como não precisa de trabalhar, está por casa e como tal não tem rendimento. Mas pronto, isto são outras histórias e nem o Magalhães saberá responder porquê.
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De jonasnuts a 24.09.2008 às 10:57

Não só, mas a brincar também se aprende. E há jogos que são brincadeira mas que lhes vão permitir ganharem competências que mais tarde podem ser usadas para trabalho.

O computador tem um componente lúdico muito grande, mas não acho que isso seja mau.

Pelo menos reflecte uma experiência semelhante à minha. O meu computador não é só um instrumento de trabalho. Aliás, trabalho e lazer confundem-se e misturam-se, e acho isso bom.

É sabido que a miudagem tem mais facilidade em adquirir conhecimentos se houver brincadeira metida ao barulho :)

Eu, pelo menos, sou assim.

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