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O debate da SIC

por jonasnuts, em 29.05.08

Já ouvi muita coisa sobre o debate da SIC sobre Blogs (que não vi, eu não vejo televisão, salvo raras excepções).

 

Mas  o sururu era tanto, que decidi ver o vídeo. Fui ver, sabendo à partida que seria o tipo de coisa que me chateia.

 

Ouvi a introdução.

 

"Vamos hoje perceber que a Internet é um maravilhoso mundo novo, mas é também uma inesgotável fonte de perigos, de fraudes, de seduções que terminam em tragédia, de pedófilos à espreita, de fotos e vídeos íntimos que de repente estão à vista de todos. É um mundo novo que traz grandes interrogações legais, psicológicas, sociológicas, ou seja, um bom tema para os nossos comentadores de quinta-feira."

 

Se depois disto continuaram a ouvir, estavam cheios de curiosidade mórbida. É a única explicação. Estava lá tudo, nem sequer quiseram escamotear a coisa. Disseram ao que iam.

 

 

Ouvi os nomes dos convidados que, aparentemente, são habituais.

Rogério Alves

José Gameiro

Moita Flores.

 

 

E daí não passei. E, confesso, não percebo o espanto que vejo em tanto post, tanta virgem ofendida, tanta pomba assassinada.

 

Então meus senhores e minhas senhoras, vocês reconhecem a algum dos intervenientes alguma autoridade, conhecimento ou competência em matéria de Internet?

 

É que eu não. Os senhores não sabem do que falam. Limitam-se a cumprir o calendário da hora de ponta televisiva. Mete-se um tema polémico, uns caramelos a comentar, de preferência daqueles de cuja boca saem frases feitas mesmo a jeito de parangona jornalística do dia seguinte e a coisa está feita, e é um sucesso.

 

E está a ser um sucesso, se tivermos em conta o número de caracteres que já foram gastos a falar da coisa.

 

Vá lá meninos. É a SIC. Até parece que é uma estação televisiva conhecida pelos seus parâmetros e critérios editoriais de fino recorte.

 

Não tenciono ver mais do que já vi. Já lá vai o tempo em que tinha esperança de que deste tipo de coisas pudesse sair algo de jeito, mas só os nomes dos comentadores e a introdução escandalosa esclarecem à partida qual vai ser o teor do debate. Algo com que o Sr. António e a D. Miquelina se possam horrorizar (é para isso que lá estão, é isso que querem quando se sentam à frente do écran, a ver as notícias), e dizer um para o outro "isto é uma vergonha, no meu tempo é que era bom. Amanhã sintonizamos na SIC outra vez, pode ser que tenham descoberto a Maddie lá nas Internetes".

 

Eu sei que não jogo com o baralho todo, mas eu não vejo televisão por alguma razão. Programas seleccionados, os que eu quero ver, normalmente à hora que quero e não à hora a que é emitido. É aquilo e mais nada. É a nova era, consumo os conteúdos que quero e não os que me querem impingir. A SIC quis impingir um "debate" sobre Internet. Vocês comeram.

 

Eu não. Deve ser da idade ou do calo. Ou de ambos.

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6 comentários

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De AnaD a 30.05.2008 às 08:39

Não vi ... mas ouvi ... e a pérola estava no fim, depois do "debate" sem fio condutor onde tudo ficou no ar e que terminou abruptamente o Rodrigo Guedes de Carvalho passou a emissão à Clara de Sousa para esta apresentar a nova pagina de noticias da SIC e terminaram com a indicação que lá nada é perigoso ... e aí mesmo com uma enxaqueca monstra eu tive de soltar uma gargalhada ... enfim são opiniões!
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De João Lúcio a 30.05.2008 às 08:58

Isto sim, é um comentário. Só come estas coisas quem quer.
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De Fernando Vasconcelos a 30.05.2008 às 09:24

Mas Maria João o problema é que há quem veja senão eles não fariam esses programas. Não deixa de ser péssimo jornalismo, péssima televisão, péssima informação. Desse ponto de vista é melhor uma qualquer telenovela mexicana, ao menos não pretende ser outra coisa que não uma telenovela mexicana. Aquilo para mim representa o exemplo acabado do problema da comunicação social actual. Quando se submete o conteúdo informativo às audiências, quando se esquece o dever de informar de forma isenta quando um jornalista se esquece qual o seu papel importantissimo numa democracia - nem é importantissimo, é fundamental - temos um problema. Acho inaceitável que um programa de informação aceite emitir uma coisa daquelas. Dirá que é sempre assim. Pois é. E esse é o problema, é precisamente o problema.
É por isso - exactamente por isso - que a CNN, a NBC e a ABC não denunciaram os erros da argumentação do Bush e o "deixaram" ir para uma guerra - dá jeito para as audiências ... é chocante e serve de pouco vir pedir desculpas depois.
Imagine-se o que seria a nossa informação sem a blogoesfera ... com opinões diferentes de todos os quadrantes, bons e maus mas pelo menos preocupados em informar de forma intelectualmente honesta e não forçosamente preocupados com as audiências (nem todos eu sei .... mas a maioria pelo menos).
Enfim desculpa o comentário longuissimo mas este assunto realmente preocupa-me e como percebem precupa-me porque esta história de se achar que se pode dizer tudo e dar um angulo de espectaculo a tudo porque as audiencias mandam é algo que me parece gravissimo na nossa sociedade.
Srs. Directores de Informação assumam as suas responsabilidades !
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De jonasnuts a 30.05.2008 às 09:54

Eu concordo. Precisamente por causa disso é que aplico às estações de televisão que adoptam por essa estratégia o golpe máximo ao meu alcance. É democrático. Eles querem espectadores. Eu não lhes dou o meu visionamento. Não consumo os seus conteúdos. Não contribuo para os seus KPIs, não vejo os anúncios dos seus anunciantes.

Eles não se importam? Pois não, nem sabem quem eu sou. Apenas uma pessoa não faz a diferença? Pois não, mas nestas coisas, como há uns anos atrás dizia um slogan, a união faz a força. Se formos muitos, eles percebem. Mas não somos muitos, as pessoas que gostam deste tipo de estratégia representam uma maioria. É para essa maioria que é definida a estratégia.

Os Blogs, e a Blogosfera que se interessa por estas questão é mportante, na medida em que permite as pessoas expressarem-se, mas não é representativa ou significativa, não faz mexer o ponteiro.

A verdade é que um programa sério, sobre o tema em debate, não suscitaria um terço do interesse, e aí, não podemos culpar só as televisão. A cultura de mediocridade e do deixar que os outros pensem por nós alastra cada vez mais na nossa sociedade.
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De trz a 30.05.2008 às 18:11

Admiro o equilíbrio de ver apenas aquilo que se quer e se for numa hora em que apeteça.. porque reconheço o teor pedagógico de alguns conteúdos, mas não tenho paciência para o ritmo imposto pelo pisca-pisca publicidade-programa.. Tinha curiosidade por alguns programas mas ou davam fora das minhas horas e de previsão, ou ambos, e a publidade, que mesmo que de qualidade e se goste, em cinco minutos passam várias vezes anúncio ao mesmo produto.. e às tantas dá-se uma veneta, Mas quem é que estes gajos pensam que são de me tentar impingir esta m**da.. e simplesmente não vejo televisão!

As notícias, que muitas pessoas utilizam para a sua absolvição quando dizem Ai eu cá só vejo as notícias, são a ideia que é conveniente e politicamente correcto transmitir à população, às massas que deambulam entre o trabalho e as insulae pelo que das notícias sabemos que cairam pontes, que vai haver melhoramentos sociais porque vêm aí umas eleições.. e de repente parece que a vida vai melhorar, que o governo afinal até faz coisas que afinal voltamos às urnas, para depois bater de frente com toda a força na realidade.

As pessoas já não querem viver, querem adquirir vidas já feitas, que assim está garantido e não dá trabalho nenhum.. papam novelas de todos os gostos, sejam brasileiras, portuguesas, mexicanas, políticas, sociais e económicas. Cada um papa a novela que mais se enquadra no seu sonho amortalhado no sofá.

Soube desta história de uns engravatados na sic a desenvolver um debate encomendado sobre os horrores e perigos da internet, ao passar por cá e fiquei muito espantada.. Não por se falar de violência na internet, porque violência há em todos os locais em que os humanos se confrontam, pessoalmente, pelo telefone, por sms, pela internet, pelas ruas, pelos bares, pelas estradas, nas escolas.. Fiquei espantada porque o lado mau das coisas, mesmo quando ínfimo comparado com o melhor, capta muito mais audiências.. Interessa dizer o que produz sensações fortes, que é o que o povo quer ao menor custo possível..

Não há pachorra!
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De Bino a 31.05.2008 às 19:00

Duas situações a distinguir:
1º a SIC. Internet e Tv são iguais a todos os outros meios onde existem pessoas. A existir um mal, ele reside no comportamento destas e não no meio utilizado. Qualquer um pode ter um blog e dizer disparates nele, já numa estação de Tv profissional seria suposto que assim não fosse. Para um tema específico como aquele seria de esperar a intervenção de especialistas da área minimamente conhecedores, que dissessem algo interessante e não aquilo a que se assistiu na quase totalidade da peça.
Existem muitas formas de exercer uma actividade e eu quero crer que a maioria de nós ainda tenta ter seriedade naquilo que faz, mas por vezes a tentação em sobressair através do sensacionalismo ou recorrendo a afirmações polémicas é muito forte e mais fácil. Este foi o erro da SIC.
A segunda situação foi a intervenção de alguns intervenientes, sobretudo a de Moita Flores. Antes de começar a escrever este comentário, tive o cuidado de pesquisar no Google por "Sousa Tavares" e por "Moita Flores", cumprida essa busca julgo compreender a emotiva intervenção de Moita Flores. No entanto ela deveria ter sido feita num enquadramento distinto, enquanto vítima da internet e não como comentador. A tentativa, então, de dar um aspecto de comentador imparcial acerca dum assunto sobre o qual Moita Flores falou emotivamente acabou por resultar num triste espectáculo com toda uma série de afirmações no mínimo exageradas ou mesmo descabidas. Acaba por ser uma ingenuidade muito semelhante à da senhora cujas fotos o 24 horas publicou. Expõem-se e depois, tunga.
É por causa deste tipo de "televisão" que eu, como diria Vincent Vega, "não vejo tv".

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