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Transcrição de uma das muitas frases possíveis, do site do plano nacional de leitura:

 

"Os resultados globais de estudos nacionais e internacionais realizados nas últimas duas décadas demonstram que a situação de Portugal é grave, revelando baixos níveis de literacia, significativamente inferiores à média europeia, tanto na população adulta, como entre crianças e jovens em idade escolar."

 

"A situação é, sem dúvida, preocupante. No entanto, tanto a escola como as bibliotecas têm procurado intervir na promoção da leitura. E na verdade, nas últimas décadas, assumiram um papel central, desenvolvendo actividades destinadas a cultivar o interesse pelo livro e o prazer de ler."

 

 

Assim sendo, fazem todo o sentido as palavras do secretário de estado da cultura, Francisco José Viegas:

 

“Noutros países, as bibliotecas têm uma contribuição decisiva para o direito de autor, para as sociedades de gestão do direito de autor, porque têm de pagar pelos livros requisitados nas bibliotecas. Em Portugal ainda não foi adoptada essa directiva, mas, a breve prazo, terá de ser.”

 

É bom ver que o nosso governo tem os seus objectivos e prioridades bem definidos.

 

Para este governo, é mais importante sacar mais algum aos portugueses, para recompensar uma indústria que não se mexe, do que incentivar à leitura.

 

Não surpreende, é um facto, mas chateia.

 

ADENDA: Ler também o que a Paula Simões escreveu acerca da forma que os senhores da APEL usaram para chegar à brilhante conclusão sobre os 40 milhões de euros de prejuízo (no estudo referido pelo secretário de estado).

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Quando morre alguém

por jonasnuts, em 11.05.12

Tenho este post atravessado há uns anos. Há tantos anos que eu ainda nem sequer tinha Blog. O atravessamento agravou-se aquando da morte do Miguel Portas, e agora o Bernardo Sassetti parece ter sido a gota de água.

 

Quando morre uma figura pública, acabou-se, para nós, que não lhe éramos próximos. Para nós comuns mortais, que não fazíamos parte do seu círculo de amigos, acabou-se o tempo de homenagem. Porque as homenagens ou manifestações de apreço só servem enquanto as pessoas estão vivas. Se morre um artista de cuja obra eu tenha sido apreciadora, é enquanto ele é vivo que eu manifesto o meu gosto. Seja comprando o que ele produz, seja assistindo aos seus espectáculos, seja, para os que têm mais lata e em se apresentando a ocasião, pedindo um autógrafo e, para os que tenham mesmo MUITA lata, abordando essa pessoa (atenção, não me refiro a stalkers), e dizendo-lhe "olhe, gosto muito do seu trabalho, obrigada".

 

Mas, no momento em que ele morre, acabou-se. Para mim. Apreciadora do trabalho. Já não há tempo para mais homenagens, a obra fica, mas o artista morreu, ali, naquele preciso momento em que o corpo deixou de funcionar, seja qual tenha sido a razão dessa paragem.

 

O momento a seguir não é para os fans ou apreciadores do artista/figura pública. O momento a seguir é para quem perdeu um pai, uma mãe, um filho, um amigo. A partir do momento em que essa pessoa morre, deixa de nos pertencer e passa a pertencer apenas aos que deles eram próximos, aos que dele gostaram, e teriam gostado, independentemente da profissão que tivesse escolhido.

 

O circo que se monta à volta da morte das figuras públicas é, para mim, odioso. E as pessoas que estão realmente a sofrer, ainda têm de arranjar forças para levar com o circo, quando a única coisa que querem é aguentar-se nas pernas, e já basta o que basta, não é preciso circo. O circo serve para deixar as pessoas mais exaustas, mais vazias. O circo é uma imposição que ninguém merece.

 

Em tempos tive um amigo que era uma figura pública muito conhecida e muito querida. Quando ele morreu, a família mais próxima era constituída por meia dúzia de pessoas. Pessoas que queriam chorar o marido, o pai, o padrasto, o amigo. Pessoas que tiveram de preparar uma cerimónia que queriam intima e discreta, numa das capelas laterais da Basílica da Estrela, e que de repente se viram na necessidade de mudar tudo, para que fosse na nave central, e contactar a polícia porque o trânsito estava interrompido, e que tiveram de se esmifrar para cumprir os desejos do morto (nestas coisas toda a gente tem opinião de como se deve fazer a coisa, e nós só queríamos cumprir as últimas vontades desse tal amigo). E tiveram ainda que passar horas e horas e horas em que apenas lhes apetecia chorar, a fazer sala, junto de perfeitos desconhecidos que repetiam, julgando-se originais, a mesma lengalenga "gostava muito do seu pai". Ad Eternum.

 

Uma figura pública, quando morre, deixa de ser nossa. Passa a ser só da família. Tudo o resto é circo cheio de palhaços. Pobres. De espírito.

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Falar com convicção?

por jonasnuts, em 10.05.12

E eu nem gosto de poesia, mas o que vos trago hoje é um poeta. Taylor Mali. Só lhe conheço um poema, ao qual cheguei via Bitaites. Cliquei num post cujo título habitualmente me afastaria: "Isto é, tipo, muito bom". Mas, apesar do título, e por ser o Bitaites, fui ver. Afinal de contas, a reputação serve para alguma coisa. Recomendo vivamente este poema, que não é só um poema, é todo um manifesto. Eu subscrevo.

 

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Cara Apritel

por jonasnuts, em 04.05.12

Depois do banho maria em que foi submerso o PL118, chamo a vossa atenção para mais trabalhinho de casa que vão ter de fazer, nomeadamente para a versão alternativa da coisa, desta vez apresentada pelo PCP.

 

Não, Apritel, não lhe chamam cópia privada, mas tirando o nome, o cheiro é mais ou menos o mesmo. Propõem a criação duma taxa, adivinhem lá sobre o quê? Pois é isso mesmo, sobre o acesso à internet. Taxa a ser paga pelos ISPs.

 

Eu vou ler a coisa com mais atenção, e conto escrever sobre o tema, mas com alguma calma. Não queria deixar de vos fazer chegar a informação, para que vocês possam ir jogando na antecipação (ao contrário do que aconteceu com o PL118, não é?).

 

Não tem de quê.

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Flashmob

por jonasnuts, em 03.05.12

Encanita-me esta dúvida, desde que soube da cena da criminalização dos protestos.

 

Aparentemente, e ao contrário do que diz a constituição (Artigo 45º) e do que diz o Decreto-Lei nº 406/74 de 29 de Agosto,as pessoas não se podem juntar, em determinados horários e localizações, sem primeiro pedir autorização.

 

Como é que fica a cena das Flahsmobs?

 

E se, como diz o tal DL 406/74, "o aviso deverá ser assinado por três dos promotores devidamente identificados pelo nome, profissão e morada", como é que funciona a coisa quando se trata dum evento convocado via twitter? Olhe, quem convoca é o @pokaralho o @saidafrente @jacintoleite, o primeiro usa o tweetdeck, e os outros dois a aplicação nativa do twitter, e moram em domínios próprios, é isso?

 

E as visitas de estudo das criancinhas? Também têm um percurso, juntam vários elementos com um objectivo comum..... também têm de pedir autorização ou vai tudo dentro?

 

Como é que funcionam as coisas?

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