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Tenho um gosto um bocado esquisito, concedo isso. As casas onde vivi sempre tiveram umas coisas malucas que faziam as pessoas esbugalharem os olhos. Ainda me lembro do empreiteiro que ficou com a obra de renovação duma casa de banho, quando lhe expliquei que os azulejos que deveria colocar na parede eram daqueles baratuchos, todos brancos, normalíssimos, mas todos partidos. Primeiro que conseguisse que ele percebesse que eu queria MESMO os azulejos partidos, foi o cabo dos trabalhos.

 

Enfim, isto tudo para explicar que gosto de coisas inusitadas e originais, que a maioria das pessoas (pelo menos as que conheço) detesta.

 

E hoje dei com uma dessas coisas. Adorava, adorava, adorava.

 

 

Mais informações sobre o bicho, aqui.

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Fixe. Então agora que está tudo animado mas por outras razões, acho que já posso contar aqui uma história com quase 10 anos. É verídica e eu sei, porque aconteceu comigo.

 

Há mais ou menos 10 anos, farta de estar a trabalhar onde estava a trabalhar, decidi mudar de trabalho. Queria manter-me na mesma área e, há 10 anos, tal como agora, só há único sítio de jeito para trabalhar naquilo de que gosto, o SAPO.

 

Não conhecia ninguém no SAPO. Enviei um mail, uma auto candidatura. Uma carta de apresentação informal, o meu CV e o endereço que usei era o geral do SAPO.

 

Sabendo o que sei hoje, e conhecendo a pessoa que estava responsável por ler os mails que chegavam à caixa de correio, sei que foi um milagre o mail ter sido visto, lido, respondido e que tenha sido marcada uma reunião.

 

Lá fui eu, mais compostinha que o habitual e com um dilema na alma. Os CVs requerem que explicitemos o estado civil, e sim senhor, lá estava o meu estado civil, solteirinha da silva.

 

No entanto, eu tenho um filho, e já na altura o tinha, e é a minha prioridade, e já na altura era. Eu queria que os senhores soubessem que eu tinha um filho e, no momento em que ele precisasse de mim, fosse qual fosse a hora, eu largava tudo e ia. No matter what.

 

Achei que era justo explicar a um potencial empregador com o que é que poderia contar, de mim. Camisola vestida, dar o litro, trabalhar fora de horas mas, a prioridade é o puto.

 

E assim foi, depois duma entrevista que foi mais uma conversa informal do que outra coisa, cheguei ali à fase dos finalmentes e disse-lhes isso mesmo. Meus senhores, está aí que sou solteira, e é verdade, mas tenho um filho, e a minha prioridade é o meu filho, se ele disser "ai", eu vou. Era um risco, mas preferi corrê-lo do que enganar os gajos.

 

Fui contratada na hora. Tipo, 5 segundos depois de ter dito aquilo. Anos mais tarde, a pessoa que tomou a decisão de me contratar disse-me "Jonas, eu tinha poucas dúvidas, mas aquela tua tirada tirou-me as poucas dúvidas que eu tinha, de que eras a pessoa certa".

 

 

Ah, mas isso é a excepção na PT, e o gajo que te contratou já deve ter saído ou não manda nada. Não sei se é a excepção, mas o gajo que me contratou é administrador com presença na Comissão Executiva.

 

Embrulha.

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Bill Maher sobre os professores portugueses

por jonasnuts, em 13.03.10

E quando o Bill Maher escreve sobre os professores portugueses, é sinal de que algo vai mal, certo?

 

Um pequeno aperitivo:

 

"New Rule: Let's not fire the teachers when students don't learn - let's fire the parents. Last week President Obama defended the firing of every single teacher in a struggling high school in a poor Rhode Island neighborhood. And the kids were outraged. They said, "Why blame our teachers?" and "Who's President Obama?" I think it was Whitney Houston who said, "I believe that children are our future - teach them well and let them lead the way." And that's the last sound piece of educational advice this country has gotten - from a crack head in the '80's."

 

Passem por lá e leiam o resto, que vale a pena. Substituam as referências americanas por referências portuguesas, e percebem que se tivéssemos um Bill Maher em Portugal, aquilo poderia ser escrito cá. O que é grave, tendo em conta o grau de ignorância e de instrução do americano médio.

 

Acima de todos os outros indicadores, esta crónica de Bill Maher devia ser a wake up call, ou a gota no copo de água.

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Vende-se (barato, dizem-me)

por jonasnuts, em 12.03.10

Tenham em conta que este post vai descrever uma série de material que eu não sei para que é que serve, apesar de partilharmos a mesma casa, e só posso dizer que é equipamento muitíssimo estimado e cuidado e que está em excelentes condições de funcionamento, como novo. Mas não sei se tiram cafés ou se fazem pizzas. É ele que quer vender, e será ele a responder às questões que eventualmente possam colocar.

 

BOSS BR-1600 CD

Gravador digital de 16 pistas (8 simultâneas com XLR input e 256 pistas VTrack)
Efeitos COSM do Boss GT-6B, Midi Sync, Mastering Toolkit
Gravação directa para CD
Interface USB para ligação a PC/Mac

Custa novo ~1100 euros na Musifex
Vendo por ~700

 

 

ROLAND VF-1

Processador de efeitos de 24 bits (guitarra, baixo, voz, etc)

Vendo por ~150 euros

 

Bons cafés.

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Tron

por jonasnuts, em 11.03.10

Tron é um filme de 1982. Tem quase 30 anos. Vi-o quando estreou e adorei. Passou relativamente despercebido. Aliás, era pouco fashion dizer-se que se tinha ido ver e, pior, que se tinha gostado.

Mas eu gostei, mesmo apesar de, na altura, ainda não ser cool gostar do Jeff Bridges, porque, lá está, na altura ele ainda não era o "Dude" nem o Baker Boy . Há pessoas para quem os actores só se tornam bons depois de fazerem filmes com realizadores intelectualóides. Eu, que não sou dessas frescuras, já gostava do Jeff Bridges (e sim, também adorei o Starman).

 

Comprei a edição especial do DVD comemorativa do 20º aniversário, e não alimento muita expectativa em relação ao remake que estão a fazer neste momento. Lá está. Só tem um cheirinho de Jeff Bridges, e tem tudo para se tornar num festival de CGI. Não gosto de festivais de CGI, prefiro, de longe, boas histórias (por isso é que o Avatar, viu-se, mas não entusiasmou).

 

Seja como for, para as novas gerações, é preciso elevar a fasquia, não os obrigar a pensar muito, encher-lhes os olhos com efeitos especiais que desafiam as leis da física e não só, e gastar mais milhões, porque os filmes também vendem pelo dinheiro que custaram.

 

Fiquem com o trailer mais recente.

 

 

 

 

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Uma das primeiras palavras de ordem de que me lembro, de miúda, é "os ricos que paguem a crise". Nos últimos dias tenho ouvido com mais frequência "a classe média que pague a crise". E está mal. Quem tem de pagar a crise são os chico-espertos, sejam eles ricos, classe média, remediados ou pobres.

 

Eu explico. Quem tem de pagar a crise é o caramelo que em vez de se pré-reformar negoceia com a empresa uma saída (com indemnização), e depois vai receber o subsídio de desemprego, enquanto espera pelo prazo da reforma. Este gajo vai a entrevistas de emprego (que não quer), porque a isso é obrigado pelo centro de emprego. Não só anda a chular o estado (portanto, nós todos), como anda a fazer perder o tempo a recursos que deveriam estar ocupados com coisas mais produtivas e construtivas.

 

Quem tem de pagar a crise é a cabra que tem o exacto número de filhos que lhe garanta a subsistência com base no abono de família e de outros incentivos à natalidade, enquanto o marido (marido não, que se forem casados o esquema não funciona), o "pai dos filhos" usufrui do rendimento mínimo. E não fazem um boi, porque não querem.

 

Quem tem de pagar a crise é a senhora que é fraca dos nervos, e que está de baixa há 10 anos (enquanto vai fazendo a sua vidinha de reformada), e que no dia em que se pode reformar, deixa o trabalho (onde não ia há 10 anos e onde provavelmente já não a conhecem nem se lembram dela) e reforma-se e continua a fazer a mesma vidinha.

 

Quem tem de pagar a crise é o gajo que manda fechar a varanda e que paga em dinheiro, sem recibo, para ser mais barato, sem IVA.

 

Quem tem de pagar a crise é a besta que recebe dinheiro através de manigâncias e engenharias financeiras, para que os rendimentos não sejam apanhados no "radar".

 

Quem tem de pagar a crise é o gajo que recebe uma pipa de massa, mas como é dono da empresa, declara o salário mínimo.

 

E os exemplos podiam continuar, o português é um povo de chico-espertos, cheio de recursos, desenrascados, e eu tenho para mim que deviam ser estes a pagar a crise.

 

Não deviam ser os tansos que fazem a coisa não só de acordo com as regras, mas de acordo com a sua consciência.

 

E não me venham com as tretas das generalizações. Há-de haver muita gente a receber o rendimento mínimo que precisa de facto dele, e por cada exemplo negativo que dei, hão-de existir muitos no sentido inverso, mas a verdade é que toda a gente conhece casos deste tipo, que estão tão generalizados que já nem se estranham.

 

Mas, como sempre. quem vai pagar a crise, são os tansos. Os da mama, vão continuar a mamar.

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Já está à venda o 3º volume da colecção Diário de um Banana.

 

Se já conhecem a coisa, sabem que é ir comprar a correr.

 

Se não conhecem, e se (como eu) desesperam porque o vosso filho não lê, comprem já.

 

O meu larga PSP, PS2, PS3, Nintendo DS, Xbox 360, televisão, seja o que for, para ler estes livros. Este 3º volume tem 223 páginas que marcharão em 2 ou 3 dias, quando os livros pequeninos da leitura obrigatória demoram semanas.

 

Foi ele que descobriu que ia sair porque procurou online, foi ele que quis ir à livraria (pela segunda vez) ver se já havia.

 

E mais boas notícias, o 4º já está agendado. As más notícias é que só sai em Outubro.

 

Seja como for, em português chama-se "A última gota" e é editado pela Vogais e Companhia.

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Prazeres analógicos

por jonasnuts, em 10.03.10

Comparada com o comum dos mortais, eu sou geek. Gosto de engenhocas. Comparada com a maioria das pessoas com quem trabalho, sou uma totó, mas pronto, é tudo uma questão de perspectiva. Gosto de engenhocas, coisas que nos facilitam a vida, carregamos num botão e vamos à nossa vida, e aquela coisa faz o que tem a fazer. Sempre que compro alguma coisa para a cozinha (e não só), tento sempre encontrar o coiso mais moderno e de última geração. A balança é digital, a batedeira já nem se chama batedeira, é um robot todo xpto, três vezes nove vinte e sete, a bimby, o descascador de alhos, o ralador, enfim..... é tudo geek.

 

Depois desta descrição, supor-se-ia que, no momento de comprar uma chaleira, eu optasse por aquelas todas zbroing, que a única coisa que é preciso fazer é encher de água, carregar no botão e está a andar, aquilo em 3 minutos ferve a água, apita e, suspeito que os modelos mais avançados já tenham uma câmara onde deitamos as folhas de chá, que se espalha sobre a água assim que esta ferve, e apita 5 minutos depois quando o chá já está próprio para consumo.

 

Pois, mas não. Comprei uma daquelas antigas, das que apita, mas apenas porque o vapor da água a ferver passa pela válvula que assobia.

 

E explicar o prazer idiota e infantil que me proporciona o ritual de fazer chá? Meter a chaleira ao lume, esperar imenso tempo, ouvi-la a chamar-me, ir lá tirá-la do lume e ouvir o assobio a extinguir-se, e depois fazer o chá (verde, dos Açores, evidentemente).

 

É tão analógico, que não percebo a pancada, mas é um desejo antigo, ter uma chaleira que apite. Já tenho uma, é igual à da foto, mas em azul claro.

 

Mais coisa menos coisa e começo a ter desejos por um fogão a lenha :)

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Jon Stewart e a Internet

por jonasnuts, em 09.03.10

Adoro o Jon Stewart. Porque me faz rir, e acerta sempre na mouche e é inteligente. Este vídeo, sobre um serviço online chamado Chatroulette é de antologia, especialmente porque onde se lê/ouve "chatroulette" podia ler-se/ouvir-se qualquer outro serviço, Twitter, Facebook, chats, blogs, messenger, etc. Extraordinário e absolutamente realista.

 

 

The Daily Show With Jon Stewart Mon - Thurs 11p / 10c
Tech-Talch - Chatroulette
www.thedailyshow.com
Daily Show
Full Episodes
Political Humor Health Care Reform

 

 

Via ele.

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Bullying ou rufias (como queiram)

por jonasnuts, em 08.03.10

Sou primeira filha. Até aos 3 anos, os meus pais, que trabalhavam ambos fora de casa, deixavam-me de manhã em casa dos meus avós e iam-me buscar ao fim do dia. Nada de infantários, creches ou contacto com outras crianças.

 

De repente, tinha eu 3 anos, nasce-me uma irmã, e vai tudo para o infantário, por razões que agora não vêm ao caso.

 

Ora eu, era uma flor de estufa, como poderão calcular. A menina, a princesinha que punha e dispunha em casa dos avós, de repente, viu-se atirada aos lobos, os gandulos que já sabiam da poda porque estavam no infantário desde que tinham 1 mês (na altura era o que havia de baixa de parto). Em casa dos meus avós, faziam-me as vontadinhas todas, não gosta desta comidinha? A avó faz outra (e fazia), enfim.....aturavam-me as manias todas, próprias de quem tem 3 anos e percebe que faz daqueles adultos os que quiser, Em casa fiava mais fino, mas mesmo assim, era eu o centro das atenções.

 

Ora, de repente, não só deixo de ser o centro das atenções em casa (a mais nova, evidentemente precisava de mais atenção) como me atiram para um meio agressivo, cheio de adultos para quem eu era apenas mais uma, e, sobretudo, para o meio de uns selvagens que não percebiam que eu era mais importante, e que me batiam, e que me roubavam os brinquedos.

 

Não sei quanto tempo durou, sei que me lembro de odiar ir para a escola. Lembro-me de chorar baba e ranho, lembro-me de odiar os professores, lembro-me de ser muito boa aluna, especialmente a português e de perceber que nem assim me safaria.

 

Lembro-me de me queixar em casa que os outros meninos me batiam, mas não sei se fizeram alguma coisa.

 

Lembro-me, sobretudo, da primeira estalada que dei na escola. Um dia farta de levar biqueiros, e puxões de cabelo, e beliscões, e empurrões, virei-me aos maus.

 

 

Foi remédio santo. Assim que percebi que afinal não era tão impotente como isso, e que quem vai à guerra dá e leva e que a melhor defesa é o ataque (vestígios da tropa do meu pai) e, principalmente, porque era corajosa, e nunca fui de andar à luta como as meninas (se era para bater era de mão fechada e os pontapés iam direitinhos ao sítio certo), a coisa resolveu-se.

 

Fui vítima de bullying? Fui. Não tinha era um nome tão fino. Como é que resolvi? Olhem, desenrasquei-me. Os meus pais deixaram de ouvir queixas minhas em casa, passaram a ouvir queixas de mim, na escola. Do mal o menos, terão pensado.

 

É difícil o equilíbrio entre a protecção que queremos dar aos nossos filhos (e se eu sou mãe-galinha) e a autonomia que temos de lhes dar, para se desenmerdarem, para fazerem pela vida, para se desenrascarem, para aprenderem a resolver problemas.

 

É sempre um dilema. Protejo-o e transformo-o numa flor de estufa, vou à luta por ele, vou à luta com ele, deixo-o da mão para ele resolver?

 

Penso que optaria por um misto. Ia à luta diplomática com ele, e se fosse preciso, nas costas dele, dar um enxerto de porrada nos pais das criancinhas bullies, acho que também se arranjava.


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