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Jonasnuts

Mais importante que a abstenção

Este não é um blog político ou de política, mas caramba, as europeias foram ontem.

 

Acho que os políticos deviam estar menos preocupados com a abstenção e mais preocupados com os brancos.

 

As abstenções foi pessoal que não teve pachorra para ir votar. Acham que há coisas mais importantes. Não havendo sol, foram certamente encher os centros comerciais que pululam por esse Portugal fora. Ou ficaram em casa, ou vão passear. Não interessa. Baldam-se. E não me venham com tretas de que é para mostrar cartões amarelos ou vermelhos. Não é nada disso. Estão-se cagando.

 

Com o que eu acho que os senhores políticos se deviam preocupar era com os votos em branco. São as pessoas que não têm pretensões a figurar nos mapas dos números e que não se importam com o facto de aos seus votos não ser conferido qualquer valor estatístico, têm o trabalho de ir votar, às vezes fazer umas distâncias valentes porque ainda não trataram da papelada para para mudarem a assembleia de voto para a sua área de residência, que apanham filas de trânsito no IC30 por causa de acidentes, e vão lá, pegam no boletim, e ainda não chegaram à cabine de voto e já vai o papelito quase todo dobrado. Não estão nem 1 segundo na cabine de voto, regressam ainda a dobrar o papel, depositam o dito cujo na urna, recebem os documentos de volta, dão as boas tardes e vão por donde vieram.

 

São os que vão lá, dizer que não acreditam.

 

Com estes é que os políticos se deviam preocupar.

O império dos sentidos

É raro andar de transportes públicos. Talvez por isso, quando o faço, deixo-me interpelar por coisas que se calhar são óbvias e descartáveis para as pessoas que estão habituadas à rotina do metro, do eléctrico, do autocarro, do comboio, do barco. Se calhar a maioria das pessoas tem a capacidade de se abstrair do que a rodeia. Fazerem como eu faço quando entro no carro, ligo o rádio, ponho o telemóvel a jeito, e ligo o piloto automático. Estou em todo o lado menos ali.

 

Mas entrar numa estação de metro é, para mim, uma coisa rara nos dias que correm. Por isso continuam a fascinar-me as idiossincrasias das pessoas. As diferentes formas de vestir, de andar, os olhares meio vazios, que caminho tomam, onde é que se posicionam na estação, se falam ao telefone, se ouvem música, se vão carregados, enfim...os detalhes.

 

Há um detalhe que chama mais por mim que os restantes. Os sapatos. Não sou vidrada em sapatos, note-se. Mas não cessa de me espantar a diversidade sapatal e, sobretudo, o grau de sacrifício a que, principalmente as mulheres, estão dispostas. É vê-las a passar, com saltos mais altos ou mais baixos, mais agulha ou mais cunha, mas saltos. Como é que alguém, por gosto, monta nuns sapatos de salto alto de manhã, vai para o trabalho de transportes públicos, anda nas ruas, cumpre as suas tarefas, e regressa ao fim do dia, nos mesmos saltos, nos mesmos transportes públicos. É extraordinário.

 

Depois chega a carruagem do metro. Ouvem-se os tacões no chão da estação apressando-se para ficarem mais perto do sítio onde a porta vai parar. Sigo aquele som, e olho fixamente para os exemplos que me parecem mais dolorosos. As portas abrem-se. Saem os passageiros e esvazia-se o espaço.

 

Entro com os meus ténis, elas com os seus sapatos de salto.

 

E nesse momento esqueço-me de tudo, o cheiro assalta-me, de repente toda eu sou nariz. Já não consigo usar nenhum dos meus outros sentidos. Vão-se os sapatos, os saltos, as roupas, os movimentos e os detalhes, fica apenas o fedor exalado pelo sovaco colectivo da urbe.

Rua da Conceição

Depois do meu post sobre o tricot, decidi seguir a recomendação mais referida nos comentários e fui à Rua da Conceição.

 

Vocês desculpem lá, mas não era bem naquilo que eu estava a pensar. Pedir agulhas circulares em bambu e receber olhares estupefactos de "agulhas quê?", como se eu fosse maluquinha, não era o que eu tinha na ideia.

 

À enésima loja lá consegui encontrar, mais ou menos, o que eu queria, mas eu gostava era dum sítio onde eu não tivesse de encolher a barriga para entrar, e onde pudesse andar com um cesto das compras a espreitar prateleiras cheias de coisas, e gostava de não precisar duma lista de coisas a comprar, gostava de comprar as coisas só pelo prazer de as manusear e para isso elas não podem estar metidas em gavetas, longe da minha vista e das minhas mãos. E gostava de saber para que é que servem as coisas esquisitas que aquela malta tem nas montras.

 

Gostava de um espaço onde eu pudesse ir à procura de um projecto divertido para fazer, e encontrasse tudo logo ali, e onde a senhora que me atendesse me explicasse que ali a meio do projecto ia precisar de aprender uma técnica nova e que havia uns workshops porreiros, e onde eu pudesse gastar rios de dinheiro, e onde me pudesse sentar e beber um chá enquanto escolho entre uma catrefada de livros.

 

Se calhar ando à procura duma coisa que não há, mas lá que dava jeito, lá isso dava. Uma Fnac, mais pequenina, mas só com coisas de craft. Pronto, era isso, que esta coisa de entrar em 250 lojas em 45 minutos é parecido com aquelas viagens aos Açores, descubra as 9 ilhas em 3 dias.

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