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Acessibilidade

por jonasnuts, em 21.05.08

Hoje estive em Aveiro, por causa disto.

 

Não pude assistir a tudo, mas vi as 2 primeiras apresentações.

 

Achei a primeira um conjunto bem composto de lugares comuns, com muitas referências ao Steve Jobs, como agora é prática, uns slides com imagens engraçadas, umas ideias recicladas de que já ouvi falar algumas 200 vezes. O apresentador tem ar de ser muito bom naquilo que faz, mas para apresentador não serve. Deixou-me quase a dormir. Este factor pode ter jogado contra a apresentação seguinte, porque eu já estava meio embalada no sono, e pronto. Uma coisa muito académica, muito monocórdica, muito..... como é que hei-de dizer isto..... chata, pronto.

 

Se calhar o defeito é meu. Deve ser meu, porque a maioria dos presentes bateu palmas, e se não tivessem gostado não tinham batido palmas, certo?

 

Mas, houve um momento que eu acho que deve ser repetido, porque foi inovador, divertido, e teve o condão de, em décimas de segundo, acordar a assistência.

 

O Pedro Custódio, que andava na azáfama organizadora da coisa, decide descer as escadas do auditório de uma forma mais veemente. Acho que os pés não acompanharam a veemência do cérebro e decidiram ir mais devagar. E vai de dar uma espalhafatosa e aparatosa queda. Mas, isto contado nao tem piada nenhuma. Foi um bate cu daqueles à desenho animado.....em que olhamos para trás e conseguimos ver a coisa em câmara lenta, com banda sonora a acompanhar. E nunca mais acabava. E via-se os pés, e depois a cabeça, e depois os pés outra vez, e os sons, os baques, as exclamações (de dor por parte do próprio e de êxtase, por parte da assistência, provavelmente admirada com a complexidade técnica da acrobacia).

 

Sim, as gargalhadas que se ouviram quase imediatamente foram as minhas. Não há nada como um bate cu para me fazer rir. Um tralho aparatoso faz-me soltar uma gargalhada. É inevitável. Mesmo quando sou eu a cair, a primeira coisa que faço, ainda no chão, é desmanchar-me a rir, normalmente até às lágrimas.

 

Eu proponho a mesma actuação para o Codebits. Se o Codebits for no mesmo sítio, aquelas escadinhas da Gare Marítima de Alcântara cairão quem nem ginjas (quer dizer, quem cai é o Pedro, mas vocês percebem). Aliás, vou mais longe. Vamos fazer disto a imagem de marca de eventos do SAPO. Em qualquer evento do SAPO, o Pecus vai, quiçá até se arranja um fatinho de spandex com lantejoulas, e atira-se das escadas abaixo.

 

Eu acho que é sucesso garantido. Eu ia.

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CEOP

por jonasnuts, em 20.05.08

Child Exploitation & Online Protection Centre.

 

Está a falar um representante desta organização. Colin Turner.

 

Num tom altamente profissional, mas nada catastrófico, mostrando conhecer a realidade do online, mas sem mascarar qualquer informação. Conhece a realidade das crianças, e da utilização que as crianças fazem hoje em dia, quer da Internet quer de outras tecnologias de comunicação (telemóveis, messenger, etc.).

 

(Já agora, POS, em linguagem de sms, em inglês, quer dizer Parent Over Shoulder).

 

Gostava que houvesse uma pessoa destas em Portugal. Se calhar há, e eu não conheço.

 

Saio dempre destas coisas com a firme decisão de banir computadores lá de casa.

 

Cheira-me que hoje não será excepção.

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Crianças desaparecidas

por jonasnuts, em 20.05.08

Hoje estou na IIIª Conferência Europeia dedicada ao tema das Crianças Desaparecidas e Exploradas Sexualmente, este ano, com ênfase especial na Segurança na Internet. A organização é do Instituto de Apoio à Criança.

 

A decorrer no Novo Auditório da Assembleia da República, cá estou eu, chegada directamente da escola do meu filho onde o deixei a fazer a prova de aferição de matemática.

 

Este não é um tema fácil, para mim, e o auditório está compostinho. Na abertura da sessão discursou Manuela Eanes (que estava a falar quando cheguei), e ao seu lado o Procurador Geral da República. Interrogo-me, em silêncio, sobre o que pensará o Procurador sobre a incidência da conferência deste ano. Ênfase especial na segurança online. Tendo em conta que para este senhor os Blogs são uma corja (não sei se foi esta a palavra, mas foi este o teor), o que pensará ele sobre o online?

 

Não sei, mas sei que não é aqui que vai descobrir. Numa conferência onde se dá ênfase especial à Segurança Online, o meu computador está orgulhosamente só no auditório. Deve haver mais, porque eu vejo as malas, mas a funcionar, o meu é o único. Provavelmente porque aqui nã há acesso à Internet. Bem fiz uma busca à procura de redes wi-fi, mas aparentemente a Assembleia da República acha que não precisa de wi-fi no seu novo auditório. Essas modernices hão-de chegar mais tarde. Daqui a uns anos.

 

Pausa para coffe break, uma multidão de jornalistas rodeiam os intervenientes principais. Não sei de que falam, aposto que o nome Maddie está nas bocas do mundo. Cheira-me que se não fosse a Maddie, esta conferência seria menos participada. Muito menos participada. Mas também posso ser eu e o meu cinismo, pode ser que esteja enganada.

 

Muitos agentes da autoridade. Parece-me bem o interesse e a participação. Vamos ver no que vai dar o resto do dia.

 

Os trabalhos vão começar dentro de momentos, pode ser que agora que acabaram os discursos, se anime o debate, e se possa trabalhar a sério. Eu sei, eu sei, sou cínica, mas tenho este lado ingénuo, que persiste.

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Depois admiram-se

por jonasnuts, em 19.05.08

Qualquer pessoa que oiça rádio já se apercebeu disto.

De há 2 meses para cá somos completamente bombardeados com publicidade a métodos extraordinários para perder peso. Para "conseguir usar o bikini branco que comprei" porque em apenas 2 semanas perde o equivalente a um Inverno (e às vezes mais) de excessos, porque há uma substância "drenadora" (sic) e outra que equivale a comer 2 alfaces (que aparentemente é bom para a tripa, como diria a minha avó), e há outra que dissolve o equivalente a 1 pacote de manteiga.

 

As mensagens referem quase sempre estudos científicos americanos (ou de qualquer outro país, tem é que ser estrangeiro), e põem nutricionistas e endocrinologistas a vender a coisa.

Se são profissionais da locução ou da saúde é que eu já não sei. Pelo aspecto, não são profissionais nem de uma área nem de outra.

 

Por outro lado, se estas coisas apostam em campanhas publicitárias, é porque há mercado para isto. O mercado das dietas iô-iô. O mercado da magreza, que não está associada à saúde. O mercado do deixa-me lá perder uns quilinhos para o Verão, que depois disso é encher o bandulho até ao Natal.

O mercado do "tenho que aparentar uma coisa, mas não tenho que me sentir bem".

 

Depois admiram-se, porque as filhinhas têm distúrbios alimentares, e deixam de comer, ou vão vomitar o último excesso de bolas de berlim. Sempre achei que deve haver uma sazonalidade nesta coisa dos distúrbios alimentares. A julgar pela publicidade com que me bombardeiam, estranho se a coisa não se agudiza nestas alturas do ano.

 

Pela enésima vez, a receita para perder peso, é fácil, e não tem ciência nenhuma.

 

Comam menos e de forma mais equilibrada, e façam exercício.

 

Não tem nada que saber.

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É um privilégio, fazer aquilo que faço

por jonasnuts, em 15.05.08

Essa é que é verdade :)

 

Mas, dentre todas as minhas tarefas, há umas que me dão mais gozo que outras, naturalmente.

 

Gosto de descobrir Blogs e adicioná-los no meu leitor de feeds à lista de Blogs que gostava de ver no SAPO. O bom desta lista, é que é interminável.  Gosto de namorá-los, e só tenho no meu leitor de feeds de rss Blogs de que gosto. Claro que há uns que me dizem mais que outros, mas todos estão lá por uma razão ou por outra.

 

Claro que cancelar a subscrição de um feed na pasta das transferências, e criar um novo na pasta dos parceiros é divinal. É sinal de que um Blog cortejado há algum tempo foi convidado e aceitou o convite.

 

Há Blogs que tenho na minha lista de transferências há mais de 2 anos, e que nunca convidei, porque ainda não aconteceu fazerem um post que fizesse click, que me levasse a fazer um convite. Não precisa de ser um post a falar de Blogs. Por exemplo, a Vieira do Mar e a sua Controversa Maresia. Há anos na minha lista, e de repente um post que não tinha nada a ver com Blogs, fez clique. Despoletou o convite. Para os mais curiosos, foi este, o último de 2007. As pessoas que conseguem dizer exactamente o que eu penso, mas muito melhor do que eu alguma vez conseguiria são sempre alvo da minha admiração. E pronto, escrevi o mail segundos depois de ler o post, e era um mail emotivo (embora eu tentasse manter a compostura), e eu estava nervosa, claro.

 

Aconteceu o mesmo com outros Blogs, a Bomba Inteligente, claro, a Mãe-Galinha, e é melhor não me pôr aqui a enumerar os casos, senão isto fica demasiado longo.

 

Hoje foi o dia escolhido por um desses Blogs que namoro há muito tempo, para se mudar para o SAPO.  Foi, portanto, um dia excelente. Este, apesar de longo namoro, nunca cheguei a ter a oportunidade de convidar. Outros convites trouxeram conquilhas, não o meu.

 

 

Sempre gostei do Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos. Desde que o descobri. Em primeiro lugar por causa do nome. Faz-me SEMPRE recordar as tardes que passei à beira-mar, na Meia-Praia, a apanhar conquilhas para comer ao jantar, durante as férias que passava em Lagos, há 30 anos (ainda há conquilhas na Meia-Praia?), e porque a minha mãe dizia "hoje há conquilhas, amanhã não sabemos". E depois por causa do que por lá se escreve.

 

É como digo, hoje foi um dia bom :)

 

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Feira do Livro

por jonasnuts, em 15.05.08

Tenho acompanhado a novela da Feira do Livro de Lisboa aqui.

 

Não é segredo, mesmo para quem, como eu, não pertence ao meio dos editores e livreiros, que a Feira do Livro de há uns anos para cá tem tido uma organização instável e volátil. Do ponto de vista do consumidor final (que sou eu) isso tem-se visto na estagnação dos programas, e nas animações sempre muito pindéricas, e na manutenção daqueles caixotes horríveis que são os mesmos (ou parecidos) desde que me lembro. E desde que me lembro que as pessoas que trabalham nos caixotes (ou muito quentes ou muito frios) não dão jeito nenhum, não funcionam.

 

Há uma tradição, na família. Dia da Criança é dia de feira do livro. Os meus pais levavam-me lá quando eu era miúda, e eu tenho esforçado por levar lá o meu, agora que me toca a mim pagar as contas.

 

Chateia-me que por causa de uns senhores que dão o dito por não dito, e que fazem acordos mas porque não estão escritos afinal não valem, e porque querem ser mais que os outros, e são, são mais areia para a engrenagem, chateia-me que por causa destes gajos, a coisa esteja cada vez pior.

 

Gosto de algumas ideias alternativas que têm sido apresentadas. E até acho que seriam muitíssimo interessantes (actividades durante um período de tempo pré-definido em todas as livrarias do país, por exemplo), mas essas ideias seriam um bom COMPLEMENTO e não uma alternativa.

 

Meus senhores, se for preciso, peço à professora do meu filho de 10 anos para intermediar os vossos diferendos. Ela é que está habituada a lidar com birras de miúdos de 10 anos.

 

Grow-up.

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A minha pediatra

por jonasnuts, em 15.05.08

Sou altamente despreocupada com a minha saúde, detesto médicos, medicamentos e salas de espera, marcações e demais parafernália associada ao negócio da saúde. Só mesmo quando tem de ser e, felizmente, é raro, ter de ser.

 

Com a saúde do meu filho, não direi que sou o oposto, porque não sou radical, mas sou extraordinariamente cuidadosa e meticulosa. E sou assim desde o início.

 

Tal como na maior parte das coisas importantes, escolhi criteriosamente a pediatra do meu filho. Antes dele nascer. Sim, grávida, marquei consultas em 3 pediatras diferentes, todos eles recomendados por várias amigas. Tinha perguntas, para as quais queria respostas antes do puto nascer. Chama-se a isto uma consulta pré-natal, e é prática comum em muitos países europeus. Por cá, ainda não. Eu não queria correr o risco de chegar com o puto para a primeira consulta, e não gostar do médico.

 

Lá fui às 3 consultas. Recebi reacções diferentes. Em dois deles o espanto de "o que é que está aqui a fazer?", depois de olharem para a minha barriga. No terceiro (aliás, terceira), um sorriso, e um "toda a gente deveria fazer o mesmo. Tem uma lista de perguntas? Vamos a elas".

 

Só isto poderia ter servido para tomar logo a decisão. Mas não foi só isto. Resposta concisa às minhas perguntas, sem floreados, sem "dar à luz", sem "o principezinho" sem os arabescos de que tantas mães gostam. Categórica em algumas questões, menos categórica noutras onde me dizia que era como me desse mais jeito. Número de telemóvel logo ali (que por sinal nunca usei).

 

Adorei o estilo, e a forma como me explicou as coisas, e como ao longo destes anos não se limitou a receitar os medicamentos e está a andar. Explicou-me sempre tudo, e as causas, e os efeitos, e tudo. Sem paneleirices.

 

Em 10 anos vi-a algumas vezes. No início uma vez por mês, depois consultas mais espaçadas. O puto é ultra saudável, fiz as rotinas e pouco mais.

 

Fui lá na 2ª feira, depois de uma longa ausência, e a consulta foi toda feita com ele, para ele, na conversa com ele, comigo só troca de olhares, para confirmação do que ele dizia. O puto estava irreconhecível. Habitualmente calado e tímido, falava pelos cotovelos, dizia piadolas, passava modelos, representava, despiu-se sem problemas, enfim, a antítese do habitual. Deve sentir-se bem, ali.

 

Quando amigas grávidas me perguntam, nem hesito. Digo-lhes, marquem uma consulta pré-natal com esta senhora.

 

 

Chama-se Beatriz Uva.

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(des)Acordo ortográfico

por jonasnuts, em 13.05.08

Quem ainda não ouviu falar desta petição, anda desatento, e serão poucos, mas pelo sim pelo não, e porque a União faz a Força, e mais uns slogans do estilo, aqui fica o link para ler e assinar (se for o caso) o MANIFESTO EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO.

 

 

 

 

 Sim, eu assinei.

 

Mãe: este é dos que se podem assinar, e indicar o número de BI e o mail e aquelas coisas que lá pedem.

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Os bonzinhos

por jonasnuts, em 13.05.08

Eu sei que tenho mau-feitio. Mas, descobri, mais do que ter mau-feitio, fazem-me confusão os bonzinhos. Não sei, há uma espécie de aura à sua volta, e está sempre tudo bem, e é sempre tudo fantástico, e inspirador, e maravilhoso e nunca partem a loiça, e nunca acham que nada esteja mal, ou, se está mal, encolhem os ombros e dizem que as coisas são mesmo assim, há que aprender a viver com elas, e muita paz e muito amor, e coiso e tal.

 

Faz-me confusão e, sobretudo, irrita-me solenemente um daqueles posts sobre uma conferência qualquer em que o autor refere que a coisa foi "inspiring" (ah, sim, normalmente são bonzinhos em inglês), "truly amazing", "the speaker is a genius" e a organização era "gifted". E quanto mais conhecido for o orador maiores são as hipérboles. É sempre muito bom, excelente, magnífico, inspirador, inesquecível, and so on, and so on, and so on.

 

Pá, para ser tudo isso, eu teria que estar a assitir na primeira fila à última ceia.

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Bobby McFerrin - Ontem no Coliseu

por jonasnuts, em 13.05.08

Sou fanzoca (fica o disclaimer). Há muito tempo, mas principalmente desde que me deram a conhecer o Hush, aí há uns 15 anos.

 

Ontem era um concerto obrigatório. Lá fomos, finalmente, ver um concerto de um gajo de quem eu gosto (normalmente vamos ver concertos de gajos de quem ele gosta mais do que eu).

 

A minha irmã arranjou bilhetes de borla. E vejam só como a minha família me conhece bem, ela e os amigos ficaram numa fila, e depois dois bilhetitos para mim, afastada do grupo. Conhece-me bem, a minha irmã. São poucas as pessoas que aguentam um espectáculo ao meu lado (mando calar quem fala, e coisas assim).

 

Fomos mais cedo, o que contraria a tradição de chegarmos sempre em cima da hora. Saímos do parque de estacionamento e dirigimo-nos lentamente para o Coliseu. Ele fazia glu-glu-glu ao meu lado (a imitar Boby McFerrin), e de repente sai-me um Oh! da boca para fora. Um grupo de 3 homens caminhava no sentido oposto..... cruzámo-nos. O do meio era o Bobby McFerrin. Portanto, a menos de uma hora de começar o espectáculo, o gajo andava ali a passear. Conjecturámos. Iria beber umas cervejolas para aquecer a voz? Ia para o Metro tentar fazer uns trocos? Não sei onde ia, mas foi muito esquisito cruzar-me com o gajo que ia ver actuar dali a pouco.

 

O concerto começou alguns minutos depois da hora marcada. Uma cadeira em palco. Entra o gajo, com a mesma roupa com que o tinha visto passar há menos de uma hora. Calças de ganga e t-shirt. Muito bom. Nada de atavios nem de folestrias, estamos ali é por causa da música, e não por causa do guarda-roupa.

 

Glu-glu-glu chinca-chinca-chinca, e passam-se as 3 primeiras músicas e, apesar dos agradecimentos efusivos, nem bom dia nem boa tarde nem boa noite. Nada de parlapié com o público. O meu nariz estava a ficar torcido.

 

Mas eis que começa a coisa...... a parte em que ele nos conduz, e consegue que um Coliseu quase cheio faça e cante exactamente o que ele quer, quando quer. E o resultado final é bom, muito bom, pelo menos soa bem.  E vem para o meio do público, e canta com algumas pessoas do público. Teria sido giro se tivesse subido um bocadinho mais e tivesse posto o microfone à frente da Maria João, a do Jazz, que por lá estava, mais tarde fez o gosto ao dedo, quando subiram uma catrefada deles para o palco (eram para ser 12, mas depois acabaram por ser mais).

 

Mas, a mim, o que me partiu toda foi que o filho da mãe puta repetiu ali a cena de Leipzig. Ele fez os glu-glu-glu do Ave Maria de Bach, enquanto nós cantávamos (?) a melodia que no original é tocada pelo violoncelo do Yo-Yo Ma. Ali ao pé de mim só eu e uma senhora que estava atrás de mim é que sabíamos a coisa (eu não sei a letra, mas sei as voltinhas todas), mas o som da sala a cantar com ele um dos meus temas favoritos de todo o sempre foi arrasador.

 

Curioso, como nestas alturas nos lembramos de pessoas que não conhecemos. Lembrei-me do autor deste Blog. Teria ficado tão surpreendido como eu, pelo facto das pessoas conhecerem bem a melodia do Ave Maria? É que não se tratava de um concerto de música clássica. Ok, este é um dos temas universais, que ultrapassa o género a que pertence, e esta versão está no álbum mais vendido de Bobby McFerrin, mas mesmo assim.

 

Defeitos? (esta é especial para ti maninha). Só o facto de não haver merchandising. Compramos sempre t-shirts dos concertos a que vamos. São mais as vezes que há que as que não há. Não consegui de Jane Monheit, nem de Tindersticks (mandei vir depois) nem de Nitin Sawhney (mas essas nem oferecidas que se fossem tão más como o concerto, nem para esfregar o chão).

 

Ontem não havia. Assim de repente, é o defeito de que me lembro. (Há online, já estou a tratar do assunto).

 

Não foi perfeito, prefiro sempre ambientes mais pequenos, e estar lá à frente (não me estou a queixar maninha, agradeço muito os bilhetes), e aquele início meio frio deixou-me ansiosa, mas gostei muito. Se houvesse outro espectáculo hoje, e conseguisse arrastar o meu namorado comigo (dúvidas, muitas dúvidas, uma vez chegou), ia outra vez :)

 

Para os que não conhecem a cena de Leipzig, fica o vídeo. Não foi assim, ontem (não chove no Coliseu), mas foi parecido, e foi muito bom.

 

 

 

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