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Bobby McFerrin - Ontem no Coliseu

por jonasnuts, em 13.05.08

Sou fanzoca (fica o disclaimer). Há muito tempo, mas principalmente desde que me deram a conhecer o Hush, aí há uns 15 anos.

 

Ontem era um concerto obrigatório. Lá fomos, finalmente, ver um concerto de um gajo de quem eu gosto (normalmente vamos ver concertos de gajos de quem ele gosta mais do que eu).

 

A minha irmã arranjou bilhetes de borla. E vejam só como a minha família me conhece bem, ela e os amigos ficaram numa fila, e depois dois bilhetitos para mim, afastada do grupo. Conhece-me bem, a minha irmã. São poucas as pessoas que aguentam um espectáculo ao meu lado (mando calar quem fala, e coisas assim).

 

Fomos mais cedo, o que contraria a tradição de chegarmos sempre em cima da hora. Saímos do parque de estacionamento e dirigimo-nos lentamente para o Coliseu. Ele fazia glu-glu-glu ao meu lado (a imitar Boby McFerrin), e de repente sai-me um Oh! da boca para fora. Um grupo de 3 homens caminhava no sentido oposto..... cruzámo-nos. O do meio era o Bobby McFerrin. Portanto, a menos de uma hora de começar o espectáculo, o gajo andava ali a passear. Conjecturámos. Iria beber umas cervejolas para aquecer a voz? Ia para o Metro tentar fazer uns trocos? Não sei onde ia, mas foi muito esquisito cruzar-me com o gajo que ia ver actuar dali a pouco.

 

O concerto começou alguns minutos depois da hora marcada. Uma cadeira em palco. Entra o gajo, com a mesma roupa com que o tinha visto passar há menos de uma hora. Calças de ganga e t-shirt. Muito bom. Nada de atavios nem de folestrias, estamos ali é por causa da música, e não por causa do guarda-roupa.

 

Glu-glu-glu chinca-chinca-chinca, e passam-se as 3 primeiras músicas e, apesar dos agradecimentos efusivos, nem bom dia nem boa tarde nem boa noite. Nada de parlapié com o público. O meu nariz estava a ficar torcido.

 

Mas eis que começa a coisa...... a parte em que ele nos conduz, e consegue que um Coliseu quase cheio faça e cante exactamente o que ele quer, quando quer. E o resultado final é bom, muito bom, pelo menos soa bem.  E vem para o meio do público, e canta com algumas pessoas do público. Teria sido giro se tivesse subido um bocadinho mais e tivesse posto o microfone à frente da Maria João, a do Jazz, que por lá estava, mais tarde fez o gosto ao dedo, quando subiram uma catrefada deles para o palco (eram para ser 12, mas depois acabaram por ser mais).

 

Mas, a mim, o que me partiu toda foi que o filho da mãe puta repetiu ali a cena de Leipzig. Ele fez os glu-glu-glu do Ave Maria de Bach, enquanto nós cantávamos (?) a melodia que no original é tocada pelo violoncelo do Yo-Yo Ma. Ali ao pé de mim só eu e uma senhora que estava atrás de mim é que sabíamos a coisa (eu não sei a letra, mas sei as voltinhas todas), mas o som da sala a cantar com ele um dos meus temas favoritos de todo o sempre foi arrasador.

 

Curioso, como nestas alturas nos lembramos de pessoas que não conhecemos. Lembrei-me do autor deste Blog. Teria ficado tão surpreendido como eu, pelo facto das pessoas conhecerem bem a melodia do Ave Maria? É que não se tratava de um concerto de música clássica. Ok, este é um dos temas universais, que ultrapassa o género a que pertence, e esta versão está no álbum mais vendido de Bobby McFerrin, mas mesmo assim.

 

Defeitos? (esta é especial para ti maninha). Só o facto de não haver merchandising. Compramos sempre t-shirts dos concertos a que vamos. São mais as vezes que há que as que não há. Não consegui de Jane Monheit, nem de Tindersticks (mandei vir depois) nem de Nitin Sawhney (mas essas nem oferecidas que se fossem tão más como o concerto, nem para esfregar o chão).

 

Ontem não havia. Assim de repente, é o defeito de que me lembro. (Há online, já estou a tratar do assunto).

 

Não foi perfeito, prefiro sempre ambientes mais pequenos, e estar lá à frente (não me estou a queixar maninha, agradeço muito os bilhetes), e aquele início meio frio deixou-me ansiosa, mas gostei muito. Se houvesse outro espectáculo hoje, e conseguisse arrastar o meu namorado comigo (dúvidas, muitas dúvidas, uma vez chegou), ia outra vez :)

 

Para os que não conhecem a cena de Leipzig, fica o vídeo. Não foi assim, ontem (não chove no Coliseu), mas foi parecido, e foi muito bom.

 

 

 

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3 comentários

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De Maninha a 13.05.2008 às 14:18

Não sei se não ter merchandising é um defeito... A mim irrita-me que se aproveitem do nosso estado emocional depois de um concerto (aquele estado em que nos queremos casar com o gajo que canta, seja ele dos coldplay ou do trio odemira) para nos vender qualquer coisa. Até nisso o espectáculo de ontem foi bom!
Eu sabia que não me ías perdoar os bilhetes noutra fila... e tens razão, mas não arranjámos bilhetes juntos e se temos que tratar mal alguém, primeiro a família, já sabes! Eu gostei que lá estivesses mesmo que fosse tu no k par e eu no L ímpar! beijos
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De jonasnuts a 13.05.2008 às 15:08

Eu compro merchandising antes do concerto.
E nunca me aconteceu sair de um espectáculo com vontade de casar fosse com quem fosse......

Já encomendei as minhas t-shirts :)

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De Fernando Vasconcelos a 13.05.2008 às 17:57

Bem eu não fiquei surpreendido porque já conhecia o Bobby. E estive lá claro. Sou fã incondicional. O homem é pura e simplesmente genial. A cena de Leipzig como dizes da primeira vez que a vi - chorei e não estou a exagerar. Por uma praça inteira à chuva a cantar não é para qualquer um. Ontem fui com o meu filho e foi possivelmente o melhor concerto a que assisti ... Concordo com o defeito do merchandising ... e um programazito também era bom ... eu sei que é dificil programar um concerto daqueles ... O principio do concerto do ponto de vista musical foi simplesmente fabuloso - mais introespectivo mas genial simplesmente genial. Eu sei que estou a abusar nos adjectivos mas ainda estou com a imagem daquela cadeira no palco, daquela presença, daquela voz (ou melhor daquelas vozes) na cabeça. Bobby McFerrin é, não tenham duvidas, um dos músicos mais dotados vocalmente.

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