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As quotas

por jonasnuts, em 21.04.08
Como é sabido por quem aqui passa, não sou a maior apreciadora de números. Não acho que que devamos ser tratados estatisticamente (apesar de não haver outra alternativa, em algumas circunstâncias). Sei que sou tratada como um mero número em muitas circunstâncias da minha vida, mas evito pensar nisso, evito cair na mesma tentação (tratando as pessoas como números), e luto activamente para mudar esse estado de espírito generalizado.

Nessa perspectiva (e noutras) detesto esta história das quotas.

Anda tudo com a dita aos pulos, porque o Zapatero tem mais mulheres do que homens, no seu Governo. E, heresia das heresias (ou vanguardismo dos vanguardismos depende de quem fala), uma delas está grávida, imagine-se. De 7 meses. E é a que tem a pasta da Defesa.

Não sei se em Espanha têm, como os idiotas deste lado de cá da península, quotas mínimas obrigatórias de mulheres.

Se o que se passa aqui ao lado se passasse aqui (vá, eu sei, só daqui a 100 anos, mas é um "supônhamos"), dizia eu, se fosse cá, quantas veriam fragilizada a sua autoridade e competência, pelo facto de, nas suas costas, os senhores piscarem os olhos entre si, afirmando "e uma ministra de quota"?

A mim as quotas incomodam-me, dá sempre a ideia de coitadinhas, não têm competência para fazer isto, mas deixa cá inclui-las, para dar uma ideia de que somos modernaços, e para termos um sales argument para ver se conseguimos captar o eleitorado feminino.

Uma mulher nunca sabe se lá está porque merece, ou porque é preciso preencher quotas.

Não sabe se está a acrescentar competência ou se está a encher chouriços.

Não gosto de discriminação positiva. As mentalidades não se mudam por decreto.

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4 comentários

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De anikin a 21.04.2008 às 13:02

Há uns tempos largos que resistia a fazer um comentário destes mas desta vez tem mesmo de ser:

- O meu COMPLETO AMEN!
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De dextro a 21.04.2008 às 19:18

Amen esse que eu subscrevo!
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De António Manuel Dias a 21.04.2008 às 22:27

Mais uma vez, concordo em princípio contigo. No entanto, na prática, considerando a discriminação que ainda existe para alguns cargos e profissões, o que significa essa igualdade de circunstâncias é que uma mulher necessita de ser muito melhor que um homem para ocupar o mesmo cargo. Ou seja, à falta da discriminação positiva o que existe na realidade é discriminação negativa.
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De jonasnuts a 22.04.2008 às 00:11

Eu concordo, existe discriminação. Não acho é que a solução passe pela imposição de discriminação positiva.

Uma mulher precisa de ser muito melhor que um homem, neste momento, para lhe darem as mesmas competências, e às vezes, nem mesmo isso chega, e eu sei do que estou a falar. Mas não acho que a atribuição de um cargo apenas porque se é mulher se justifique.

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