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Jonasnuts

As quotas

Como é sabido por quem aqui passa, não sou a maior apreciadora de números. Não acho que que devamos ser tratados estatisticamente (apesar de não haver outra alternativa, em algumas circunstâncias). Sei que sou tratada como um mero número em muitas circunstâncias da minha vida, mas evito pensar nisso, evito cair na mesma tentação (tratando as pessoas como números), e luto activamente para mudar esse estado de espírito generalizado.

Nessa perspectiva (e noutras) detesto esta história das quotas.

Anda tudo com a dita aos pulos, porque o Zapatero tem mais mulheres do que homens, no seu Governo. E, heresia das heresias (ou vanguardismo dos vanguardismos depende de quem fala), uma delas está grávida, imagine-se. De 7 meses. E é a que tem a pasta da Defesa.

Não sei se em Espanha têm, como os idiotas deste lado de cá da península, quotas mínimas obrigatórias de mulheres.

Se o que se passa aqui ao lado se passasse aqui (vá, eu sei, só daqui a 100 anos, mas é um "supônhamos"), dizia eu, se fosse cá, quantas veriam fragilizada a sua autoridade e competência, pelo facto de, nas suas costas, os senhores piscarem os olhos entre si, afirmando "e uma ministra de quota"?

A mim as quotas incomodam-me, dá sempre a ideia de coitadinhas, não têm competência para fazer isto, mas deixa cá inclui-las, para dar uma ideia de que somos modernaços, e para termos um sales argument para ver se conseguimos captar o eleitorado feminino.

Uma mulher nunca sabe se lá está porque merece, ou porque é preciso preencher quotas.

Não sabe se está a acrescentar competência ou se está a encher chouriços.

Não gosto de discriminação positiva. As mentalidades não se mudam por decreto.

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