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Tás bom pá?

por jonasnuts, em 09.02.08
Gosto do tratamento por tu. Acho-o preferível ao tratamento na terceira pessoa, detesto a palavra você. Trato a minha mãe por tu, e o meu filho trata-me por tu. Claro que quando conheço alguém, nos momentos iniciais o tratamento é na terceira pessoa, mas assim que há espaço (caso haja), proponho logo o tratamento por tu, pelo menos se se tratar de uma pessoa agradável, para usar uma expressão que me é muito cara. Para mim o "tu" é uma questão de confiança. Claro que há pessoas que eu faço questão de tratar na terceira pessoa, e há outras que não deixam espaço para que seja doutra forma. Respeito.

Mas, do que não gosto, é de uma empresa que trate os seus clientes ou potenciais clientes, por tu. O tu implica intimidade e confiança. Não existe nenhuma empresa com a qual eu tenha um grau de intimidade e de confiança que permitam o tratamento por tu. A não ser aquela onde trabalho e aí sim, trato a maioria das pessoas por tu, sim, mesmo os administradores.

Vem isto a propósito de um post do Arcebispo de Cantuária (não é esse das declarações controversas sobre a Sharia ou lei Islâmica, é o outro, o nosso). Diz  o nosso Arcebispo que de repente a SuperBock se dá muito bem com ele, tão bem que já o trata por tu.

Não é caso único na comunicação em Portugal. De há uns anos para cá, tornou-se moda, tratar as pessoas por tu, principalmente quando o target de um determinado produto ou serviço pertence a uma faixa etária mais jovem. Ou mesmo para dar um certo ar de juventude a uma marca.

Também não gosto do tratamento demasiado formal. O Exmo. Senhor é tão arcaico e provinciano que só as empresas verdadeiramente atrasadas no tempo é que ainda o usam.

Quando o apoio a cliente do portal onde trabalho era da minha responsabilidade (longe vai o tempo e não tenho saudades), as indicações eram simples. Tratamos os utilizadores pelo nome, na terceira pessoa. Caro António, Cara Maria.

Um dia chega-nos um mail com um pedido de esclarecimento. Vinha assinado por um administrador, e depois de confirmarem tecnicamente a origem, colocaram-me a questão. Como é que respondemos? Exmo. Senhor, Exmo. Senhor Professor, Exmo. Senhor Engenheiro?

Não se tratava de um administrador qualquer, tratava-se de Francisco Murteira Nabo.

A resposta seguiu, igual às outras.

Caro Francisco.

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11 comentários

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De Crisálida a 10.02.2008 às 14:57

Engraçado as sutilezas das diferenças da mesma lingua em paises diferentes. Aqui no brasil o tratamento por "você" indica justamente intimidade. só chamamos de "você" aquelas pessoas que sao mais próximas, com quem podemos ter mais liberdade. Eu já chamo todo mundo assim, menos a minha mãe e o meu chefe. Minha mãe chamo de senhora, e meu chefe de senhor.

Um dia desses um amigo daí de portugal me disse, quando eu o chamava de vc, que ele sentia-se velho quando o chamava assim! lol

Agora lendo o teu post entendi melhor. :-)

Mas eu não gosto que me chamem na terceira pessoa, falando comigo como se falasse de mim para mim mesma. Me sinto tão insignificante e desprezada!! E aí é comum! lol

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De jonasnuts a 10.02.2008 às 18:40

Crisálida, eu traduzo:

O nosso tu, é o vosso você.
O nosso você é o vosso senhor :)
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De Crisálida a 10.02.2008 às 18:46

Agora sim!

Cartesianamente simples! :-))

Nossa... Várias pessoas aqui do sapo acharam, então, que eu os tratava com formalidade! lololol
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De jonasnuts a 10.02.2008 às 22:29

Não, porque nós, fruto de tanta novela brasileira, sabemos fazer a distinção :)

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