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Thank you, but no thank you

por jonasnuts, em 31.10.07
Acompanho as várias Blogosferas à distância. Há Blogs que acompanho por motivos meramente profissionais, há outros que acompanho por mais motivos, para além dos profissionais. Hesito sempre muito em fazer links para Blogs que acompanho. Principalmente se são Blogs famosos porque parece que estou a dizer "olhem para mim, olhem para mim" Detesto que olhem para mim. Nessas coisas sou muito parecida com a minha mãe (desculpa lá o link, mãe).

Mas hoje li n'A Blasfémia algo que não podia deixar de referir.

Trata-se de um desabafo, que chegou por mail, de uma senhora que está descontente com as conquistas que o seu género tem alcançado nas últimas décadas.

A senhora refere, assim resumidamente, que gostava de ser a minha avó. Dedicar-se aos bordados e às lides caseiras, ter um homem que tomasse conta dela, que lhe pagasse os chás e as frivolidades, e a quem ela pagaria.....em géneros, pois então.

Três questões.

Em primeiro lugar, labora num erro. A vida de uma doméstica, já que é disso que se trata, não é uma vida de pouco trabalho. A não ser que seja uma doméstica dondoca, que tenha empregadas para fazer tudo e mais alguma coisa. Nesse caso já não erra.

Em segundo lugar, reconheço-lhe o direito de querer ser quem muito bem entender. É uma escolha para a qual é livre. Dependa de quem quiser, pague como puder. Não tenho nada contra, nem faço juízos de valor. Cada um tem de encontrar o seu próprio caminho, e se o caminho desta senhora passa pelos bordados e pelos chás, assiste-lhe esse direito.

Em terceiro lugar, obrigada, mas não obrigada. A minha avó, que adoro, e respeito e da qual tenho muito orgulho (aliás, tenho muito orgulho em ambas as minhas avós), toda a vida trabalhou em casa porque não teve outra escolha. Era assim que era suposto ser. Não escolheu. Foi-lhe imposto. Pela família, pela sociedade, no fundo, por ela própria.

Gosto muito da minha vidinha, e gosto muito de usufruir das conquistas que outras, antes de mim, alcançaram.

Não quero dominar o meu marido. Não sou casada, desafio algumas convenções. Muito menos quero dominá-lo. Nem quero um "marido" que dependa de mim para "parecer bem" à frente dos amigos. Aliás, não quero um marido que queira parecer bem à frente dos amigos. Não quero saber dos outros.

Eu não quero deixar-me guiar pela vida, quero ser eu a ter o leme nas mãos, partilhá-lo, mas nunca largá-lo.

Não quero ser frágil.

Por outro lado, não me sinto obrigada a ser magra (e não sou), nem me sinto obrigada a reunir determinadas características físicas. Não morro de fome, não ponho hidratantes nem anti-rugas (e tenho-as), não ponho pinturas na cara e, definitivamente, não tenho o cabelo impecável.

Não preciso.

Gosto de poder escolher, que era algo que a minha avó não podia. Hoje, uma mulher pode escolher, e se escolher ficar em casa e depender de quem a sustente, muito bem, mas pode também escolher outra alternativa, e decidir pela sua própria cabeça.

Prefiro a minha opção, mas defenderei sempre a liberdade de escolha.

Parece que a senhora que enviou o mail não compreendeu ainda o alcance do legado que lhe foi deixado por tantas outras mulheres. Escolha. Não esconda a sua falta de coragem para escolher debaixo do manto das conquistas femininas. A maior conquista é mesmo essa, poder escolher.

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15 comentários

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De dottoratoamilano a 01.11.2007 às 09:55

Prefiro comentar aqui que no Blasfémias. E a primeira pergunta que faço, se me é permitido, é: quem é o cromo do Pedro Arroja. Já oiço falar nele há algum tempo, e parece-me ser uma pessoa com umas opiniões... enfim. Alguém me pode explicar porque é famoso? (É de eu ser novo que não o conheço?)

Agora o texto da senhora. De facto, parece-me que a senhora preferiria levar uma vida fútil. "Gostava de saber quem foi a bruxa imbecil, a matriz das feministas que teve a ideia de reivindicar os direitos da mulher e porque o fez connosco que nascemos depois dela?"
Que raio de frase é esta? Até a mim, gajo, me enerva! Será que é difícil perceber que a grande conquista para vós mulheres é terem o que nós sempre tivemos, isto é, "poder escolher." Poder ter opiniões, poder ter um papel mais activo numa sociedade.

Dominar os homens através da casa, do estômago? Que raio de pensamento tem esta mulher das relações a 2? Que raio de desejos?

Seja como for, mesmo nos dias de hoje, tenho a certeza absoluta que encontrará um homem a quem goste uma mulher assim (disto não tenho dúvidas). Há ainda muitos da minha geração (24 anos) que não gostam de uma mulher que faça muita farinha.
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De jonasnuts a 01.11.2007 às 12:30

O Pedro Arroja não é o Pedro Mexia ;)

O Pedro Arroja é um dos históricos da Intelectualesfera (que é como eu achamo aos Blogs opinativos, que são também, tipicamente, os mais antigos).

Escreveu durante muito tempo n'A Blasfémia e depois saiu, de forma muito badalada e mediática (que faz o seu estilo).

Basicamente, escreve num Blog :)

A título de curiosidade, o Blog português mais antigo ainda em actividade não pertence à Intelectualesfera, pertence à Macacoesfera, e é do Macaco que deixou aqui o lindo comentário provocador, e que não traduz, na realidade, o que ele pensa :)

Quanto ao mail que suscitou o post n'A Blasfémia e depois este post (e outros virão, de certeza), é um isco para gerar reacções :) Há temas que têm rastilho curto, e este é um deles :)
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De dottoratoamilano a 01.11.2007 às 13:44

"O Pedro Arroja não é o Pedro Mexia ;)"

Pff... engraçadinha :P

Eu leio volta e meia o Blasfémia, e pelo ponto de vista dos blogs sei quem é o Arroja. No entanto, qdo ele lá entrou (ou regressou, já nem sei) todos o saudaram como o regresso de um mestre dos liberais, blá blá, blá blá. No fundo, um senhor com uma visão muito estranha do mundo, que escreve umas coisas absurdas.

No entanto, todo fala dele. É só por escrever coisas absurdas? Isto é, antes dos blogs já era conhecido?
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De jonasnuts a 01.11.2007 às 13:58

Professor, escritor, conferencista.....

Sim, já era conhecido, mas não havia blogosfera, portanto era conhecido em círculos reduzidos.
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De dottoratoamilano a 01.11.2007 às 16:02

Já agora, foi assim:
http://gloriafacil.blogspot.com/2006/09/arrojadamente-com-arrojo-etc.html
que, pela primeira vez, ouvi falar no pedro arroja. Logo com uma entrada a pés juntos :P
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De pedrocs a 01.11.2007 às 12:10

O lugar da mulher é na cozinha e mais nada! Toca mas é a baixar a bolinha!
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De jonasnuts a 01.11.2007 às 12:31

Pá, o teu comentário funcionaria, se eu não te conhecesse :)

Errr, bom, se calhar, não funcionaria mesmo que não te conhecesse :)
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De pedrocs a 01.11.2007 às 13:19

Se não me conhecesses eras capaz de responder a sério e perder imenso tempo, já viste. Tempo que podias ter usado para esfregar o chão da casa de banho!

:-)
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De jonasnuts a 01.11.2007 às 13:32

Por acaso, estive a esfregar o chão da casa-de-banho :)
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De pedrocs a 02.11.2007 às 01:31

Eu não. Sou macho.
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De pedrocs a 02.11.2007 às 01:31

PS: o chão da minha casa de banho está uma lástima.
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De dottoratoamilano a 02.11.2007 às 21:38

Bom, em defesa da minha masculinidade, devo dizer que antes de o limpar o deixei chegar a um nível um pouco imundo...
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De Gabriel Silva a 12.11.2007 às 10:34

Cara jonasnuts,

«Escreveu durante muito tempo n'A Blasfémia»

Não: escreveu entre outubro de 2006 e Abril de 2007, sendo que o blog foi criado a 29 de fevereiro de 2004.
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De jonasnuts a 12.11.2007 às 11:56

Mais de 6 meses não é muito tempo, para o Pedro Arroja? :)

Fica a correcção, foi algum tempo, embora não demasiado.

Obrigada pela correcção, Gabriel.

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